Chat sobre Design de eBooks no IBDIN

Márcio Duarte, em 23/09/2011. Categoria: Notícias 0

Dia 04 de outubro tem chat ao vivo sobre design de eBooks no ambiente virtual do Instituto Brasileiro de Desenho Instrucional. Participe da conversa a respeito do Design de E-books, o mercado que está revolucionando o meio editorial. Saiba mais sobre a integração de novas tecnologias com os processos editoriais tradicionais.

Agende-se!

Data: 04/10/2011
Horário: 19h30
Local: Ambiente de Cursos IBDIN. Se você não é aluno IBDIN solicite seu acesso à secretaria@ibdin.com.br
Observação: Para participar desse chat é necessário que você utilize o Navegador Internet Explorer, caso contrário não consiguirá acompanhar a atividade. Dúvidas podem ser enviadas para secretaria@ibdin.com.br
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(Update 12/10/2011: Muito obrigado a todos que participaram, foi muito interessante poder trocar grandes idéias sobre esse pequeno mercado!)

Design editorial e Digital Publishing: perguntas frequentes

Márcio Duarte, em 22/09/2011. Categoria: Be-a-Bá do eBook 1

Design e Digital Publishing FAQ

Para quem trabalha com projeto e produção de publicações impressas, o mundo do digital publishing pode parecer assustador, ao menos em um primeiro momento. São tantas novidades, desafios, variáveis e incertezas que é natural o surgimento de dúvidas sobre os aspectos mais práticos da atividade. Obviamente, a resposta definitiva a muitos destes questionamentos permanece em aberto, e há muitas outras perguntas dentro das respostas. Esse é um mercado em formação e as regras do jogo estão sendo definidas com a partida em andamento, mas já é possível apontar alguns caminhos profissionais seguros para quem passa os dias conferindo forma e função ao texto – e deseja manter-se assim. Pensando neste profissional e nas perguntas mais elementares que ele poderia fazer, criei uma lista de perguntas e respostas básicas sobre o assunto. Vamos a elas:

1Ainda haverá mercado para o design de publicações impressas?

Sim, tudo indica que sempre haverá mercado para o livro impresso e para quem trabalha com ele. A questão é o tamanho e o tipo desse mercado. Ainda há profissionais trabalhando com antigo Linotipo, por exemplo, para aplicações bem específicas. O livro impresso, como veículo de informação, tem apelo e qualidades próprias que não são suplantadas pelo livro digital, isso é fato. Mas a espectativa é de que, com o tempo, o mercado de publicações digitais seja dominante, justamente pelo menor número de restrições impostas pelo meio físico (distribuição, armazenamento, preço). Importante lembrar que isso deve acontecer com maior ou menor velocidade em função das caracterísitcas do país e do nicho de mercado. Aqui no Brasil, ainda há muitas limitações a serem superadas nesse território, e isso não muda da noite para o dia. Mas a era da informação digital é uma tendência que veio para ficar, isso em todas as áreas, no mundo todo. No mínimo, não ignore esse mercado. Ele pode vir a ser sua maior fonte de trabalho – e receita.

2O que acontece com o projeto gráfico?

O projeto gráfico vai continuar existindo e talvez um nome mais adequado no contexto do digital publishing seja projeto visual, pela ausência de ligação com os tradicionais processos gráficos. Mas a mudança não para por aí. As formas de se projetar publicações digitais são muito variadas, mas podemos dividí-las em duas grandes áreas: projeto de publicações de layout fixo (exemplos: apps e ePub de layout fixo) e de layout flúido (exemplos: ePub e Azw/Mobi). Para os tipos de publicações de layout fixo, as mudanças no projeto são menos drásticas, a liberdade de criação é preservada em boa parte. Para as de layout flúido, as mudanças são muito maiores e o projeto visual tem um outro caráter, menos impositivo, digamos assim (atualmente há tão pouca consistência da apresentação desse tipo de publicação digital que nestes casos mal podemos falar de “projeto”, mais isso é assunto para outro artigo). Nos dois tipos, a “diagramação” dos projetos é completamente diferente do habitual, onde ferramentas diversas, linguagens de marcação e programação são a base. Tudo isso sem um método de trabalho consolidado. Uma coisa é certa, sentiremos saudades do poético termo “arte-final” no digital publishing ;-)

3Quais os principais formatos de publicações digitais?

Atualmente, os principais são o ePub, os formatos do Kindle (Mobi/AZW), o PDF (sim, ele mesmo) e as Apps (publicações em formato de aplicativos), cada um com suas características, métodos de produção e ferramentas próprias. Para os tipos de publicação com predominância de texto, como literatura, os formatos ePub e Kindle têm sido mais utilizados. As Apps vem sendo utilizadas principalmente para revistas e jornais. O PDF segue sendo o formato “base” universal. Note que com o amadurecimento do formato ePub, espera-se que esse cenário se modifique, e outros tipos de publicação possam se beneficiar do formato.

Justamente pelos diferentes conjuntos de métodos, especialidades e ferramentas necessárias à produção dos tipos de publicação, é provável que se consolide, ao menos neste primeiro momento, a especialização no design e na produção de publicações para cada formato, principalmente para os aplicativos, que são os mais caros, variados e complexos de se produzir. A curva de aprendizado deste formato para um profissional vindo do meio impresso não é lá muito animadora. Para criação visual (WYSIWYG) de publicações no formato App há diversas soluções, como o Adobe DPS, o Quark App Studio e o Woodwing Enterprise, mas não são soluções voltadas para profissionais independentes (leia-se: custo altíssimo) e têm limitações quanto à distribuição, sendo geralmente atadas a lojas virtuais. Alternativas gratuitas existem (PugPig, Appcelerator Titanium, PhoneGap, Baker Framework, Laker Compendium), mas também incluem uma boa dose de aprendizado e testes. (Update 12/10/2011: A Adobe lançou uma versão do seu DPS para freelancers e pequenos negócios, com valor mais acessível – U$ 395,00 por app – mas ainda assim é um custo relativamente alto para a produção, em comparação com o custo de se produzir um ePub).

O ePub apresenta, particularmente, muitas vantagens para os designers, pois é menos complexo de se produzir (relativamente falando), pode ser lido em diversas plataformas, está em evolução (EPUB3), não depende de ferramentas proprietárias ou frameworks para criação, pode ser colocado à venda em vários canais de distribuição e é um padrão cada vez mais adotado pelo mercado editorial. Apesar disso, os formatos de layout fixo (PDF, apps) ainda são imbatíveis quanto à consistência do design da publicação, algo ainda não resolvido no ePub – questão de tempo.

4Porque não investir somente em eBooks no formato PDF?

Um dos motivos para a explosão do digital publishing é a popularização dos dispositivos de leitura móvel: eReaders, tablets e mesmo smartphones. Como se sabe, o conteúdo do PDF é fixo e não se adapta a cada um desses meios de forma automática. O mesmo acontece com publicações no formato app, que além disso são limitadas ao dispositivo e loja para qual foram criadas. Ponto positivo para o ePub, que tem exatamente como principal característica a flexibilidade: um só arquivo para múltiplos dispositivos, em qualquer meio de distribuição (apesar do DRM). Esse é um dos motivos pelos quais o mercado tem apostado fortemente neste formato.

5E os formatos de eBook do Kindle, da Amazon?

Os formatos do Kindle, AZW e Mobi, são exclusivos para a plataforma de eBooks da Amazon e, apesar da sua popularidade, estão entre os mais limitados entre os todos os formatos de eBook, tanto em recursos como em possibilidades de design, mas são muito importantes nesse mercado crescente, principalmente no exterior, e como a Amazon provavelmente virá para o Brasil, quem sabe se não serão muito importantes para os profissionais daqui também. (Update 18/10/2011: A Amazon atualizou seu formato de eBooks, chamado de Kindle Format 8, ou KF8, com suporte a layouts avançados nos moldes do EPUB3 – eu diria até um pouco mais avançado –, o que torna o formato Kindle um real competidor do ePub para uma grande variedade de tipos de publicações. Mais sobre isso na página correspondente da Amazon.)

6Preciso mesmo trabalhar com código?

Para os formatos flúidos ePub e Mobi/Azw, e para um trabalho profissional, sim, mas é possível utilizar o Indesign, Quark ou o LibreOffice para realizar parte do trabalho visualmente – embora isso não seja obrigatório e, em muitos casos, nem mesmo desejável. No caso de publicações digitais em formato app, se você trabalha em empresas que aderiram às soluções integradas ao Indesign/Quark para produção, trabalhar em ferramentas totalmente visuais é um cenário plenamente possível, mas mesmo nestes contextos, há espaço para adicionar recursos e funcionalidades por meio de linguagens de marcação e script. Fora desses cenários, não há como escapar do código.

O tempo não pára

Há muitas mudanças acontecendo no terreno das publicações digitais, mas essa é uma constante para quem trabalha na área. Há 26 anos, o Desktop Publishing revolucionava o mercado editorial. Muitos profissionais tiveram que se adaptar à digitalização da produção e à nova forma de se projetar publicações, explorando novas ferramentas, termos, práticas e processos. Algumas atividades perderam importância no mercado (alguém aí do paste-up?), mas outras surgiram – e floresceram. Vivemos uma época semelhante, onde grandes obstáculos vêm acompanhados de grandes oportunidades. Como naqueles tempos, a regra é uma só: quem quiser continuar nessa onda, precisa aprender a surfar.

Padronização do design dos eBooks: hyperlinks

Márcio Duarte, em 16/09/2011. Categoria: ePub Bugs, Laboratório do eBook 0

O suporte a folhas de estilo CSS nos leitores de ePub é muito irregular, para não dizer sofrível. Mesmo atributos simples como uma simples alteração de cor nos hyperlinks não é garantida em todos os leitores. O iBooks, leitor de eBooks da Apple que usa o motor de renderização Webkit, é um exemplo disso. Recusa-se a aceitar a alteração na cor dos links, mesmo se o CSS for aplicado inline, junto ao código, o que deveria ter a preferência sobre outros estilos. A cor padrão aplicada pelo programa é um púrpura (fig. 1) que possui pouco contraste com a cor preta padrão do texto. O resultado é que muitos links são difíceis de encontrar à primeira vista. Mudar a sua cor da forma padrão não funciona no iBooks. Por exemplo: ao usar o CSS a { color: red; }, nada acontece. A mesma cor púrpura de sempre é utilizada. Se aplicarmos estilos inline (diretamente no código HTML) a cor é alterada, mas este tipo de aplicação do CSS é difícil de introduzir e atualizar. Isso acontece no iBooks, no Adobe Digital Editions (e em todos os eReaders que usam a mesma base, o Adobe RMSDK) estilos inline não são obedecidos.

Onde estão os links nessa página?

Figura 1: Um doce para quem encontrar os links neste texto :)

Investigando o problema

Mas será que não é mesmo possível alterar essa cor mantendo um padrão entre os diferentes eReaders? E outros atributos, como underline e cor de fundo? Como outros programas/dispositivos leitores se comportam nesse quesito? Para buscar soluções, criei um ebook de teste (Baixe: Padronização do design dos eBooks: links (432)) com diversas formas de se estilizar um link via CSS para testá-lo em diversos eReaders, e verificar como se comportam de acordo com o tipo de código: estilos inline, em folhas de estilo externas ou no cabeçalho do HTML. Como o iBooks utiliza o Webkit para renderizar as páginas, testei também várias extensões CSS desta engine para verificar como o eReader da Apple se comporta. As extensões CSS (ou CSS vendor extensions) do Webkit, assim como as de outros motores de layout como o Gecko (Firefox) e Trident (Internet Explorer), são propriedades de estilos CSS que afetam somente os programas que os utilizam como base, e não funcionam nos programas que não as usam. Assim podemos aplicá-los para (tentar) resolver problemas como estes, sem prejuizo algum para a interpretação do código do ePub.

Fiz algumas descobertas interessantes:

  • Como havia dito, uma parte dos eReaders, entre eles os que usam a mesma base do Adobe Digital Editions, simplesmente não reconhecem estilos inline, aplicados junto do código. O CSS especificado em uma classe ou diretamente à tag <a>, por meio de um CSS externo, foi aplicado corretamente. O iBooks, por sua vez, reconheceu os estilos inline, mas não os externos (por classe ou aplicados à tag <a> :P ;
  • No iBooks, se o texto do link estiver envolto por uma tag span, é possível alterar a cor do texto do link e a cor de fundo, mas o underline é mantido em outros leitores, pois é uma propriedade do link em si;
  • O CoolReader (programa relativamente popular e bastante utilizado na plataforma Android) não reconheceu os estilos aplicados por meio de “id” ou diretamente à tag <a> no CSS externo, apenas aqueles aplicados por meio de “class”;
  • Ao enclausuar o texto do link em uma tag <span>, o Nook ignorou a cor de fundo do link;
  • A extensão -webkit-text-fill-color é capaz de alterar a cor do texto do link no iBooks sem prejudicar a funcionalidade. A boa notícia é que outros eReaders que utilizam o Webkit também se beneficiam da mudança. Nos meus testes, os programas de leitura Stanza (iPad), iBis Reader (Online) e Moon+ Reader (Android) responderam à propriedade CSS -webkit-text-fill-color, ou seja, aplicaram a cor corretamente;
  • Inserir no ePub o arquivo com.apple.ibooks.display-options.xml, um arquivo geralmente utilizado em ePubs de layout fixo do iBooks, faz com que o programa aceite qualquer cor de link (permite também que fontes embutidas sejam utilizadas), mesmo sem a extensão -webkit-text-fill-color. Mas como é usado apenas no iBooks, não é uma opção muito universal;
  • Parece ser uma prática relativamente comum entre vários eReaders (Stanza, Laputa, FBReader e mesmo o Aldiko para Android) adotar uma espécie de pré-processamento do código, ou seja, ao ser aberto, o conteúdo do ePub é extraído e é renderizado pelo programa com a ajuda do seu próprio CSS, ignorando o CSS embutido no arquivo. Alguns leitores oferecem a possibilidade de carregar esse CSS especificado pelo designer, outros não (Laputa, FBReader, Stanza Desktop). Isso dificulta muito a padronização do projeto visual do ePub, pois cada eReader tem sua opinião sobre a melhor forma de apresentar o ePub, e ela nem sempre é a melhor possível. Seria importante que os programas permitissem que os estilos propostos pelo designer fossem carregados primeiro, assim como acontecem nos navegadores no caso de websites. Alguém já navegou em algum site onde o design do site foi todo redefinido pelo navegador ao ser aberto, sem sua solicitação? Creio que não.

Galeria 1: Imagens das telas de alguns eReaders. Note a discrepância na interpretação dos links.

Conclusões

A melhor abordagem ao estilizar links no ePub é aplicar uma classe qualquer à tag em questão e especificar os estilos em um arquivo CSS externo para afetar os eReaders baseados no RMSDK da Adobe, incluindo a propriedade -webkit-text-fill-color para os programas que usam Webkit, principalmente o iBooks. Não enclausure o texto do link em nenhuma tag, aplique o estilo à classe, se preciso. Assim, para especificar cor nos links dos seus ePubs inclua sempre no seu código:

/* HTML */
<a class=“link” href=“http://www.seulink.com”>Texto do link</a>
/* CSS */
a.link {
color: #suacor;
-webkit-text-fill-color: #suacor;
}

Esta é solução mais universal para estilização de links. Ainda assim, alguns eReaders como o FBReader e o Laputa Reader para Android sobrepõem completamente o CSS criado pelo designer do ePub. Outros, como o Moon+ Reader e o Aldiko, também para Android, só aceitam o CSS se o leitor especificar deliberadamente essa opção nas configurações do programa. Neste caso, não há muito o que fazer, mas como o código não interfere nos demais estilos e na performance do arquivo, é uma opção viável.

Lembrando que essa abordagem de usar extensões Webkit pode ser aplicada para buscar a solução de outros tipos de problemas de interpretação do CSS nos eReaders que usam esse “motor”, como o iBooks e o Stanza (iPad), mas não a utilize isoladamente para recursos fundamentais do livro, pois somente os eReaders com Webkit serão capazes de apresentá-los. O ideal seria mesmo que a especificação ePub (e o CSS que ela suporta) fosse implementada corretamente nos eReaders, mas até lá soluções como essa serão necessárias.

Padronização do visual do ePub: futuro distante

A dificuldade em se aplicar cores a um simples hyperlink mostra a complexidade em se produzir ePubs que fujam do default dos programas e busquem uma padronização no projeto visual do Livro eletrônico. Ainda estamos longe do estágio em que um arquivo com layout mais avançado seja lido de forma padronizada nos mais diversos eReaders. Quem sabe com a adoção do ePUB3 isso começa a se resolver. Até lá, muito teste e cautela na aplicação de estilos CSS para o ePub.