Viver do seu talento é possível

Por 25/08/2014. Categoria: Blog, Inspiração, Notícias | 4 comentários


27 de dezembro de 2013… Essa era a data do artigo mais recente deste blog até agora. Eu sei, já faz um bom tempo.

A maioria das pessoas pensaria – com razão – que perdi o interesse nos assuntos que blog trata, ou algo do tipo.

Longe disso. A ausência tem um motivo bem justificado. Esse motivo é na verdade uma surpresa, que revelarei neste artigo. :)

Promessas da auto-publicação digital

Minhas experiências práticas com auto-publicação na web começaram em 2011, e motivaram o lançamento deste blog.

De lá para cá, tive contato com todo tipo de iniciativa na área, vindas de autores, empreendedores digitais e editoras tradicionais, todos explorando as possibilidades desse mercado.

A auto-publicação digital, com eBooks e aplicativos, sempre se apresentou como provável alternativa para que as pessoas pudessem viver do seu conhecimento.

Mas participando desse mercado durante todo esse tempo, observava algo intrigante:

Apesar de se apresentar com uma roupagem mais moderna na web, as plataformas de publicação das grandes empresas de conteúdo digital impunham fortes limites.

Algo semelhante ao que ocorria no mercado editorial tradicional.

A verdade nua e crua que observava é que elas não favoreciam a liberdade necessária para um autor viver do seu próprio conteúdo. A barreiras ainda existiam, só mudavam de natureza. Do físico para o digital.

Limitações de formatos digitais, plataformas restritivas, dificuldades para alcançar o público leitor e complexidades para contratação de pessoas qualificadas eram apenas alguns dos limitadores que enxergava.

Resumindo: os melhores frutos dessas ações quase sempre não estavam nas mãos dos autores, infelizmente.

As promessas de que um autor conseguiria viver do seu próprio talento na web pareciam distantes. E a minha decepção com esse cenário era evidente.

A semente

“Onde você tropeçar, aí reside o seu tesouro”
Joseph Campbell

Mas a vida supreende e toda desilusão planta a semente do novo.

Durante esse período, desenvolvi alguns projetos que forneceram vários indícios de que o caminho da auto-publicação bem sucedida existe, mas passa por outras estradas, digamos assim.

Há alguns anos conheci o Henrique Carvalho, um grande empreendedor digital, e contribuí com o design e o desenvolvimento de três de seus projetos (dois | blogs e um eBook), que foram – e continuam sendo – muito bem sucedidos! Um dos segredos? A união entre design e marketing digital.

O Henrique utiliza com maestria o marketing digital para criar iniciativas online efetivas. Por si só, o potencial do marketing é enorme.

Mas aplicando o design a essas iniciativas, os projetos desenvolvidos trouxeram resultados bem além das melhores expectativas!

Você pode conferir mais sobre essa história aqui e aqui.

Caminhar o próprio caminho

Essas experiências me levaram à conclusão de que é possível sim estabelecer-se na web com o que você sabe, ganhando a vida com seus talentos, suas habilidades, e ser livre para fazer o que quiser com o seu tempo!

E isso sem se render a qualquer tipo de imposição das grandes plataformas de publicação digitais.

Foi uma revelação…

Para isso, no entanto, é necessário escapar das armadilhas das gigantes multinacionais da publicação digital.

É fundamental investir de forma consistente e estratégica na própria web, que oferece todas as condições para isso.

Hoje vejo claramente que o problema dessas plataformas é que elas limitam propositalmente a aplicação do design e do marketing como soluções para a independência dos autores, por um motivo óbvio:

Se aplicados corretamente, esses conhecimentos trazem autonomia a quem os domina.

Design e marketing digital são duas eficientes e poderosas ferramentas de trabalho nessa jornada, e a união de esforços entre as duas, como pude comprovar, potencializam fortemente os resultados de qualquer iniciativa digital, pequena ou grande.

Isso nos leva para a grande surpresa final.

Um velho amigo

O blog é uma das plataformas de publicação mais antigas da web, um velho amigo de muitos.

Mas ainda é uma da alternativas de publicação mais utilizadas pelas pessoas, na tentativa de alcançar o tipo de liberdade que mencionei anteriormente (financeira, profissional).

É um meio viável para que qualquer pessoa possa se expressar e criar conexões que vão possibilitá-la viver do seu talento.

Favorece também a criação de uma plataforma sustentável, por que:

  • Traz a iniciativa para onde a atenção da maior parte das pessoas está hoje em dia: no navegador;
  • Permite a aplicação de estratégias – de design e marketing de conteúdo – provadas e bem sucedidas;
  • Facilita a criação de conexões diretas entre você e seu público.
  • Conta com ferramentas gratuitas e fáceis de usar, como o WordPress, utilizado aqui mesmo no PageLab.
    • O blog, enquanto plataforma, tem realmente muito potencial e favorece mesmo a liberdade, mas….

      Uma nova esperança

      Ainda é muito complexo, lento e oneroso para qualquer empreendedor digital ter todo o conhecimento e recursos necessários para colocar em prática um projeto de blog realmente efetivo.

      Soluções de hospedagem gratuita de blogs são um ótimo começo, mas são insuficientes para alcançar essa meta.

      Os custos, o tempo envolvido e a mão de obra qualificada, necessária para lançar uma iniciativa realmente profissional, não podem ser subestimados.

      Essas, inclusive, são apenas algumas das enormes dificuldades que os autores/empreendedores digitais encontram no processo.

      É muito trabalho. Há muitos anos desenvolvo projetos do tipo e sei dos desafios.

      É evidente que havia uma lacuna a ser preenchida.

      Unir design e marketing em uma solução simples para os empreendedores digitais.

      Alguém precisava fazer alguma coisa a respeito…

      Então fizemos! Assim surgiu a Uberfácil: uma iniciativa que vem sendo desenvolvida à quase um ano em parceria com o Henrique Carvalho.

      Ela surge para preencher essa lacuna, oferecendo temas e plugins para a plataforma gratuita WordPress, de forma a facilitar a vida dos autores/empreendedores digitais brasileiros.

      A idéia é criar uma relação de parceria de longo prazo com autores e empreendedores digitais.

      Até então, para ter uma plataforma de autor bem sucedida na web, as pessoas precisavam recorrer a soluções personalizadas, de alto custo, ou adquirir produtos de fora para solucionar parte desse problema.

      Convido-o então para conhecer o projeto, acessando a página de pré-cadastro para que seja avisado do lançamento, que será para muito breve.

      Essa é uma aposta na web como um meio promissor para que as pessoas realizem os seus objetivos de independência pessoal e financeira.

Digital publishing em 2013:
pé no chão

Por 27/12/2013. Categoria: Blog, Notícias | 6 comentários

Pé no chão

Provavelmente 2013 foi o ano mais “pé no chão” do digital publishing desde o surgimento do Kindle, em 2007, uma data considerada bem marcante nessa área, com todo tipo de previsões sobre o fim do livro impresso.

Hoje assistimos às vendas de eBooks desaquecendo no principal mercado mundial, dúvidas em relação ao futuro do livro ilustrado digital – que ainda não encontrou o seu caminho – e uma parcela importante dos leitores mais jovens assumindo sua preferência pelo cheiro do papel.

A convivência pacífica entre livro impresso e digital tem sido mantida. Ao contrário do que ocorreu na indústria fonográfica, na qual a distribuição digital reduziu drasticamente o uso do CD, o eBook não tem representado uma mudança disruptiva para o impresso, mas um caminho complementar, com suas características particulares – pelo menos por enquanto.

Desafio maior, tanto para impresso quanto para digital, está na concorrência entre leitura e a multitude de opções de entretenimento que se encontra hoje: cinema, games, música, apps e a própria web.

Do autor ao leitor, sem intermediários

O livro digital tem sim suas belas vantagens em relação ao impresso. Vamos ao óbvio: portabilidade, armazenamento e distribuição. Mas não resta dúvida de que, para quem efetivamente cria o conteúdo, a maior promessa do digital é a conexão direta com o público leitor e a descentralização dos meios para monetizar essa conexão, ou seja, ferramentas de publicação e criação de conteúdo acessíveis. O potencial disruptivo está aí.

“A web aberta é o cenário mais promissor para o conteúdo digital, e não necessariamente um formato de livro específico”

Olhando por esse ângulo, a web aberta é o cenário mais promissor para o conteúdo digital, e não necessariamente um formato de livro específico, que acaba preservando o mesmo modelo vertical do mercado editorial tradicional e das grandes empresas de tecnologia. Um formato aberto, multi-dispositivo e tecnologicamente abrangente ainda não existe na prática.

Quem estiver à busca de independência – quem não está – e souber desenvolver com propriedade sua plataforma de autor na web não tem do que reclamar, as oportunidades e ferramentas estão aí, ainda que muito fragmentadas.

Fui testemunha de iniciativas bem sucedidas nesse sentido. Elas têm algo em comum: os autores foram além do próprio texto e assumiram o papel de empreendedores, tirando máximo proveito do marketing digital, assumindo o controle do destino das suas iniciativas.

Retrospectiva

A exemplo do ano anterior, apresento uma breve restrospectiva interativa com alguns dos principais fatos que marcaram o editorial digital. Você pode acessá-la pelo botão abaixo:

Digital Publishing: linha do tempo 2013

Um excelente 2014! Obrigado pela visita! :)

Crédito da foto deste artigo: chubstock (cc)

7 dicas salva-vidas para projetos de eBooks com iBooks Author

Por 09/11/2013. Categoria: Tutoriais | 0 comentários

Dicas salva-vidas para iBooks Author

Após quase um ano envolvido diretamente com projetos de eBooks para iBooks Author – sobre o qual já falei várias vezes aqui no blog –, é hora de compartilhar algumas dicas úteis que resultaram dessas experiências.

O software é geralmente intuitivo, mas há algumas armadilhas escondidas pelo processo, que só são reveladas durante o trabalho (ugh!). Além disso, algumas operações que seriam simples à primeira vista demandam soluções um pouco mais criativas. Vamos às dicas:

1. Limite a quantidade de elementos multimídia para uma melhor performance de leitura

Por oferecer várias alternativas para conteúdo rico, é fácil aplicar esses recursos indiscriminadamente no iBooks Author. O excesso de imagens, vídeos, áudio, widgets e fontes pode prejudicar fortemente a performance do arquivo e dificultar o download, particularmente em iPads com conexão 3G.

De forma geral, é recomendado usar apenas os recursos que contribuam de verdade para o conteúdo, evitando o “oba-oba” de elementos sem propósito algum.

No caso de livros extensos, com muitos recursos multimídia, é recomendável ficar atento ao tamanho do arquivo final no formato .ibooks, a fim de mantê-lo em níveis aceitáveis, pois, por mais interessante que seja, poucos terão paciência para baixar um livro de 500 mb via 3G…

Confira no site da Apple mais orientações específicas sobre tamanho e performance de arquivos.

2. Faça microcorreções no livro fora do Mac

Vamos supor que seja necessária alguma alteração simples porém urgente no livro, e você só possui um PC à disposição. Se a correção for simples, pode ser feita no Windows mesmo.

A exemplo do ePUB, o arquivo gerado pelo iBooks Author para distribuição final, no formato .ibooks, não passa de um arquivo compactado (.zip) com arquivos XML, XHTML, imagens, fontes e vídeos.

Assim, pequenas alterações no texto do livro – como, por exemplo, a substituição ou a adição de acentos, pontos por vírgulas, traços por hífens, e palavras não editáveis pela interface do iBooks Author (leia a dica 3) – podem ser feitas em qualquer editor de código, em qualquer sistema operacional.

Apenas tome cuidado para não realizar edições muito radicais no texto, ou remover outras partes do código necessárias, pois sem dúvida elas afetarão o layout e podem até mesmo invalidar o arquivo.

Basta mudar a extensão de .ibooks para .zip para descompactar os arquivos do livro, que podem então ser editados no seu editor de código preferido, como o Notepad++, no Windows (figura 1).

Editando o conteúdo de um arquivo do iBooks no Windows

Figura 1. Editando o código do arquivo .ibooks no Notepad++ , no Windows

Após a edição do código, a recompactação pode ser feita por meio de algum dos vários utilitários de compactação de ePUB gratuitos disponíveis pela web. Ao fim desse processo, basta renomear a extensão do arquivo novamente para.ibooks para permitir que o iBooks o reconheça sem problemas.

3. Antes de iniciar um projeto, confira se o idioma do Mac OS é o mesmo do livro

Essa dica é fundamental! Verificar o idioma deve ser o primeiro passo em qualquer projeto (figura 2).

Janela de preferências de idioma no Mac OS X

Figura 2. Alterando o idioma do sistema nas preferências do Mac OS X.

O programa usa alguns rótulos de texto automáticos para descrição de seções e capítulos do livro, como as palavras “capítulo” e “seção“, localizados antes do número (figura 3).

Estes rótulos são extremamente úteis para numerar automaticamente os capítulos e seções.

O problema é que estes rótulos dependem do idioma do sistema. Se este está em inglês, por exemplo, eles serão configurados nesse idioma, definitivamente, e não há como alterá-los no iBooks Author, mesmo alterando o idioma do Mac após o arquivo ter sido salvo. :(

Rótulos automaticos no iBooks Author

Figura 3. Rótulos automáticos no iBooks Author

Mas se você já criou o seu livro de 800 páginas, em português, com seções no idioma em inglês, não se desespere. :) Ainda é possível alterar esses rótulos no código fonte do arquivo .ibooks gerado ao final do trabalho (figura 4), com a ajuda de um editor de texto, conforme descrevi na dica 2.

Editando o código no Sublime Text, no Mac

Figura 4. Buscando o texto a ser trocado no código HTML do livro.

4. Utilize um widget HTML para embutir PDFs

É possível embutir um PDF de múltiplas páginas no livro com a ajuda de um widget HTML personalizado. A técnica é muito simples e preparei um modelo de widget pronto para isso no link abaixo.

Baixar arquivo Formato Zip » Tamanho: 25kb

Para usá-lo, faça o seguinte:

  • Renomeie o seu PDF para arquivo.pdf;
  • Baixe o widget e, no Finder, descompacte o zip;
  • Clique com o botão direito sobre o ícone do widget e escolha a opção “Mostrar conteúdo do pacote/Show package contents“ no menu contextual (figura 5);
  • Arraste seu PDF para o diretório-raiz do widget – substituindo o que está lá – e feche a janela. Pronto! Ele pode ser importado/arrastado para o documento do iBooks Author.

Menu contextual do Finder, no Mac OS X

Figura 5. “Mostrar conteúdo do pacote“ de um widget, no Finder

5. Use botões ocultos para visualizar tabelas, gráficos, vídeos e widgets em tela cheia

Em certas situações, pode ser interessante omitir tabelas, imagens, vídeos e outros elementos extra-textuais do fluxo normal de leitura, e criar links simples para eles dentro do próprio texto, abrindo-os em tela cheia, seja para economizar espaço ou para criar um visual mais “limpo”.

Nativamente, o iBooks Author oferece a opção de criar miniaturas de vários elementos e abrí-los em tela cheia, mas eles ainda ocupam espaço no layout.

É possível resolver a questão inserindo imagens transparentes no lugar dessas miniaturas. Assim, uma tabela, por exemplo, pode ser visualizada em tela cheia a partir de um trecho do próprio texto.

Como é mais simples mostrar do que descrever essa técnica, assista ao vídeo a seguir e baixe o arquivo .iba de exemplo para conferir a técnica na prática. A sequência de passos também está logo abaixo do vídeo.

Baixar arquivo Formato Zip » Tamanho: 8mb

  • Crie uma imagem PNG transparente no seu editor de imagens. Escolha um tamanho equivalente ao ocupado pelo link no texto, pois ela será a área clicável para o leitor. Dimensões um pouco maiores facilitam o clique;
  • No iBooks Author, adicione um estilo qualquer ao texto que funcionará como um hyperlink falso – por exemplo, com uma cor, simulando um link real;
  • A seguir, selecione o elemento (imagem, vídeo, gráfico, widget) que deseja abrir em tela cheia e, no painel Inspetor, acione a opção de “Mostrar objeto como miniatura/Show object as Thumbnail”;
  • Substitua a miniatura padrão pelo PNG transparente criado no passo 1 e posicione o widget (que ficará invisível) abaixo do link.

6. Adicione formas complexas no documento (com a ajuda do Apple Keynote)

É fácil inserir ou desenhar formas básicas no iBooks Author, como quadrados, círculos, estrelas ou polígonos, mas formas um pouco mais complexas são inviáveis de se criar com precisão utilizando as ferramentas nativas.

Mas há uma solução para isso. Usando um pequeno script no Mac, é possível importar qualquer forma vetorial SVG (criadas no Inkscape ou Adobe Illustrator) para o Keynote. Daí, basta simplesmente copiar e colar diretamente para o iBooks Author, que é capaz de reconhecer objetos do Keynote nativamente. Essa formas mais complexas podem ser usadas para mascarar imagens e outros efeitos interessantes (figura 6).

Máscara complexa para imagem no iBooks Author

Figura 6. Forma complexa sendo usada como máscara para uma fotografia.

O script para colocar em prática essa dica é gratuito e pode ser baixado no site do autor. Há também uma versão para exportação nativa a partir do Adobe Illustrator.

7. Trabalhando com objetos em 3D dentro do livro

O iBooks Author permite a importação de objetos em 3D – no formato Collada (.dae) – que podem ser manipulados pelo leitor.

Embora permitam aplicações interessantes, esses objetos podem comprometer a performance do livro caso sejam muito complexos, ou, como dizem os experts em 3D, com “um alto número de polígonos”.

Segundo a documentação do programa, é preciso manter essa contagem de polígonos abaixo de 20.000 para suportar todas as versões do iPad, o que acaba limitando o uso desse recurso na verdade, pois modelos mais interessantes visualmente são naturalmente mais complexos.

A melhor opção é mesmo usar apenas objetos 3D simples. Um bom programa para gerá-los é o SketchUp, que possui uma versão gratuita (figura 7). Dentre os vários programas 3D que testei, foi o que gerou modelos no formato Collada de melhor compatibilidade com o iBooks Author.

Versão gratuita do SketchUP

Figura 7. Modelos 3d simples, construídos no SketchUp

Após criado o objeto 3D, é possível usar o plugin Cleanup – também gratuito – para reduzir a complexidade dos modelos. É rápido e os resultados são satisfatórios com as opções padrão.

* Para importação, o SketchUp só suporta os formatos 3DS e Collada . Se o seu modelo está em outro formato, você pode convertê-lo a partir do Blender, programa 3D de código aberto.