ePUB3: a evolução das publicações digitais

Márcio Duarte, em 15/06/2012. Categoria: Laboratório do eBook, Resenhas 14

A sigla do momento em termos de produção de eBooks é ePUB3, a nova versão do padrão aberto de publicações digitais que promete romper diversas limitações da implementação atual: maiores recursos para layout e estruturação do conteúdo, interatividade, animações, áudio, vídeo, tipografia avançada, suporte a fórmulas matemáticas, narração de texto em voz alta, acessibilidade, entre outros goodies, abraçando uma maior diversidade de publicações, para múltiplas plataformas, em qualquer idioma, não só para livros de texto plano como esse formato tem sido geralmente aplicado.

Apesar da novidade, o fato é que ainda estamos em um estágio muito preliminar da adoção desse novo padrão (ok, estamos em um estágio preliminar em relação a eBooks de forma geral, mas essa é outra história). No momento em que escrevo este artigo, nenhum programa disponível é capaz de gerar um ePUB3 válido automaticamente (o Indesign CS6 oferece uma exportação nativa, que, apesar de experimental, pode gerar um ePUB3 válido para livros mais simples). Mas esse problema deve ser resolvido em breve. Alguns desenvolvedores anunciaram suporte nativo para criação de ePUB3, temos um leitor (Readium) e um validador (ePUBCheck) oficiais, uma utilíssima tabela de suporte aos novos recursos entre os principais dispositivos do mercado, além de dois outros programas de leitura que já suportam o formato (iBooks e AZARDI) e um bonus: a Apple anunciou aos desenvolvedores que começará a aceitá-los na sua iBookstore. Estes são sinais de que o mercado está mesmo adotando o novo padrão.

Do ponto de vista prático, as mudanças no arquivo do livro em si não são tão radicais como parecem, como veremos nesse artigo. A complexidade aparece quando os novos recursos disponibilizados pela especificação são considerados no código própriamente dito. Aí o desenvolvimento de um ePUB3 pode realmente ser visto como produção de software, e não somente produção editorial.

Vamos revisar em linhas gerais algumas das principais dúvidas sobre a nova versão, com respostas às perguntas mais óbvias – lembrando que as respostas consideram algum nível de intimidade com o código:

O que difere um ePUB2 de um ePUB3?

Apesar de oferecer uma série de novos recursos, um ePUB3 se assemelha bastante ao velho conhecido ePUB2: um arquivo compactado com a mesma extensão .epub, e a mesma estrutura básica de pastas, com eventuais imagens, fontes, vídeos e arquivos de texto. É relativamente simples transformar um ePUB2 comum em ePUB3 com poucas mudanças em partes do código – desde que não sejam adicionados novos recursos “pirotécnicos”, claro. Há um bom grau de interoperabilidade entre as versões, que “conversam” relativamente bem. A vantagem principal do ePUB3 é oferecer novas soluções padronizadas para os recursos avançados que citamos no início do artigo, baseados em padrões abertos.

Um epub3 descompactado e seus arquivos

Figura 1: um ePUB3 por dentro. Mais do mesmo, não?

Então um ePUB2 vai ser lido em um leitor ePUB3?

Sim, já que a nova especificação orienta que os novos programas de leitura ofereçam suporte retroativo à versão 2.

E um ePUB3, pode ser aberto nos eReaders atuais, que só suportam ePUB2?

Até pode, mas os eReaders do momento não foram pensados para os recursos do ePUB3. O livro provavelmente apresentará problemas de toda espécie, que vão variar de acordo com o eReader e o conteúdo da publicação. A especificação anterior, (ePUB 2.0.1) não previu compatibilidade com versões futuras, embora exista alguma flexibilidade nesse aspecto. Se deseja mesmo manter uma compatibilidade cruzada entre as versões, é necessário planejá-la de antemão e testá-la intensamente, ainda que isso seja válido para publicações sem muitos recursos de interatividade ou layout. Uma lista de melhores práticas nesse quesito pode ser vista no fórum do IDPF.

O que posso fazer de interessante em um ePUB3?

A lista de possibilidades é imensa, mas isso vai realmente depender do sistema de leitura, já que uma parte das funcionalidades não é obrigatória, como o suporte a Javascript, por exemplo. De forma geral, você pode implementar idéias interessantes como:

  • Um livro ilustrado com animações e narração em áudio que acompanha o texto;
  • Livros com texto em diversos idiomas, com caracteres especiais e até com ordem de leitura invertida – de trás para frente, como em um mangá;
  • Híbridos (app/livro) como, por exemplo, um material promocional para músicos, simulando um disco de vinil animado (single).
  • Mini-jogos, enquetes e simulações junto ao texto, muito úteis em conteúdos educacionais;
  • Publicações com streaming de vídeo e áudio, baixados on demand.
  • Um romance onde partes do conteúdo é alterado de acordo com a localização do dispositivo.

Figura 2. Vídeo com um exemplo das potencialidades do formato

Quanto à compactação/descompactação do arquivo?

Não muda. Podem ser utilizadas as mesmas ferramentas e processos de antes.

O que acontece com o sumário (arquivo NCX)?

No ePUB3, o sumário deve ser criado em um arquivo XHMTL comum, que pode ser estilizado assim como o texto. Este arquivo pode ou não ser inserido no fluxo do texto, via tag <spine> do arquivo .opf. Para compatibildade com o ePUB2, recomenda-se manter também o sumário no formato NCX, já que os futuros eReaders de ePUB3 devem ignorá-lo por padrão, mas ele não é mais obrigatório. A criação do novo documento de navegação pode até ser automatizado por scripts, com base no NCX do ePUB2.

Quanto ao arquivo .opf (package document)?

É mantido no ePUB3 e a estrutura é a mesma do ePUB2, com modificações. Algumas propriedades se tornaram obsoletas, mas podem ser mantidas para efeito de compatibilidade, pois não interferem no funcionamento do ePUB3, sendo um exemplo a seção <guide>. Já outros elementos precisam ser atualizados, como a propriedade “version”, na qual é especificada a versão do ePUB. É ela que efetivamente ativa o suporte às novas funcionalidades.

O que acontece com os demais arquivos obrigatórios (mimetype, conteiner.xml)

Permanecem intocados, nos mesmos locais de sempre.

Os arquivos HTML do conteúdo de um livro na versão 2 precisam mudar para se adaptar ao ePUB3?

De forma geral, o conteúdo dentro das tags <head> e <body> de uma publicação de texto puro, em ePUB2, pode ser mantido, mas a seção inicial dos documentos deve ser obrigatoriamente alterada para se adeaquar ao ePUB3. Como a mudança é padrão para todos eles, pode ser automatizada com a ajuda de expressões regulares, via GREP. É recomendável também usar sempre a extensão .xhtml para todos os arquivos do conteúdo.

Confira um exemplo de código recomendado para o início dos documentos .xhtml, para livros em português brasileiro:

ePUB2

<?xml version="1.0" encoding="utf-8" standalone="no"?>
<!DOCTYPE html PUBLIC “-//W3C//DTD XHTML 1.1//EN"
“http://www.w3.org/TR/xhtml11/DTD/xhtml11.dtd">
<html xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">
 

ePUB3

<?xml version="1.0" encoding="utf-8"?>
<html xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml"
xmlns:epub="http://www.idpf.org/2007/ops"
xml:lang="pt-BR" lang="pt-BR">

Acessibilidade

Ainda que o mesmo conteúdo de um ePUB2 possa ser interpretado corretamente pelos programas leitores de ePUB3 sem muitas alterações, ao adaptá-lo para a nova versão, é importante repensá-lo à luz da acessibilidade promovida pelas novas tags disponíveis no HTML5, como <section>, ou pela propriedade epub:type, que descrevem semanticamente a função do conteúdo que enclausuram e oferecem métodos alternativos para a interpretação do código pelos sistemas de leitura. Pessoas com deficiência visual agradecem, pois a otimização da estrutura do conteúdo vai facilitar a interpretação audível e a navegação em dispositivos com tecnologia assistiva como o iPad e seu Voice Over. Sem falar que um conteúdo bem estruturado facilita a estilização e a adaptação do livro para outros formatos. Um guia bem interessante de acessibilidade no ePUB pode ser visto aqui. Vale a leitura.

O futuro das publicações digitais? Mesmo?

Tudo isso é muito bonito, mas não seria contraprodutivo investir em uma tecnologia que se baseia em arquivo, diante da promessa do conteúdo na nuvem, acessível em qualquer lugar, apontando para o futuro? Talvez, mas no momento, nenhuma outra solução apresenta o mesmo conjunto de qualidades oferecidas pelo ePUB quando se fala de leitura digital com portabilidade e adaptação automática do conteúdo à múltiplos dispositivos, ou seja, sem necessidade de conexão, considerando diferenciais importantes como padrões abertos, acessibilidade, estruturação e navegação de conteúdo, além dos imprescindíveis metadados. Portabilidade ainda é – e talvez sempre seja – fundamental quando consideramos os altos custos e cobertura das conexões móveis. Mas esta é uma questão que permanece em aberto e só teremos uma boa resposta para essa pergunta nos próximos capítulos desse livro.

Para saber mais

iBooks Author: uma bela ilha no meio do oceano

Márcio Duarte, em 21/01/2012. Categoria: Resenhas 1

Janela do iBooks Author

Do ponto de vista do design e da produção de livros digitais, o lançamento do iBooks Author, programa gratuito para Mac que permite a criação de livros eletrônicos de forma totalmente visual, representa um avanço, não há dúvida. É mesmo uma boa ferramenta para quem ainda se sente intimidado com a criação de eBooks com layout e interatividade avançados. Até o lançamento do programa, para criar determinados tipos de livro com recursos mais “vistosos” – como os didáticos – era necessário produzir um aplicativo (como os produzidos pelo Adobe DPS) ou se contentar com o PDF.

Quanto ao ePUB, o suporte nos eReaders é tão ruim e irregular que mal pode ser considerado uma opção real para publicações com layout complexo, sem falar que para produzir algo do tipo é necessário um elevado conhecimento das particularidades de tecnologias que compõe o ePub e dos sistemas de leitura – o que faz muitas pessoas torcerem o nariz. Criar visualmente é o modus operandi básico de quem tradicionalmente trabalha com edição de livros e a necessidade de lidar diretamente com código representou um baque forte nas espectativas dessas pessoas. A verdade é que quem esperava uma oportunidade de criar conteúdo editorial para a plataforma iOS, de forma visual, a um custo de produção menor – sem as taxas da solução da Adobe –, com interatividade e recursos avançados, encontra uma luz no fim do túnel com o iBooks Author.

Tour do iBooks Author

Quem não quer um livro livre?

Ok, o programa é um avanço em termos de produção, mas ele não elimina a necessidade de se trabalhar também com o formato ePub, por um motivo muito simples: liberdade. Seu iBook interativo, cheio de animações, enquetes e vídeos, só estará disponível para uma parcela muito pequena dos leitores – aquela com recursos para comprar um iPad ou iPhone, caríssimos por essas bandas, sem falar que para colocar à venda seu livro didático, é necessário passar por um processo bizantino para conseguir uma conta específica para venda na iBookstore e fazer o envio do seu eBook partir de um Mac com o OS X Lion instalado – existe uma forma de fazê-lo a partir do sistema anterior, o Snow Leopard, mas ela não é oficial. Para piorar, embora o iBook use descaradamente a mesma estrutura e convenções do ePub, é inviável utilizar o código gerado como ponto de partida para desenvolver um ePub, tanto pelo uso de extensões proprietárias, que permeiam boa parte do código, quanto pelas restrições legais impostas pela Apple, que fez um bom esforço para “embraralhar” o código do formato iBook. O formato KF8, do Kindle, sofre de um mal parecido. Nesse sentido, o ePUB ainda é – e continuará sendo – a melhor aposta para o mercado editorial digital de longo prazo, mesmo com todos os desafios que representa.

Exemplo de código de um arquivo iBook

Código extraído de um iBook: Parece ePub… mas não é. :(

Avançado e limitado ao mesmo tempo

O funcionamento do iBooks Author, apesar de ser uma versão 1.0, é excelente, como costuma ocorrer com todos os programas da Apple: intuitivo, simples e poderoso ao mesmo tempo. É capaz de criar livros que “enchem os olhos”, ainda que a forma utilizada para criá-los fuja completamente do estilo dos programas de editoração eletrônica, como Indesign e QuarkXpress. É muito semelhante ao Keynote, do pacote iWork, e imagino que aproveitaram boa parte do seu código-fonte durante o desenvolvimento. Mas, assim como o Keynote, seu formato proprietário acaba por limitar sua utilidade, principalmente em um universo tão amplo de dispositivos e plataformas de leitura. Sem integração com o ePub, por exemplo, para publicar seu livro em outra loja online é necessário desenvolver duas versões praticamente independentes de um mesmo conteúdo. Seria fantástico se houvesse uma integração com o ePub, mas não esperaria isso da Apple. Há uma esperança, no entanto. Há gente dentro da Canadense Kobo e no time do eReader BlueFire interessada em desenvolver algo do tipo.

Keynote e iBooks Author: irmãos gêmeos

Resumo da ópera: uma publicação no formato iBook é como uma ilha no meio do Pacífico: bela e isolada. Não há integração alguma dela com os fluxos de trabalho atuais do digital publishing, além de só poder ser colocada à venda em uma loja específica (iBookStore), para leitura em apenas um aplicativo (iBooks) de uma única plataforma (iOS). Ainda há dois agravantes que devem limitar o uso da ferramenta no Brasil: as peculiares exigências da Apple para criar uma conta específica do iTunes Connect, necessárias para colocar os livros à venda, e a obrigatoriedade de utilizar a plataforma Mac para produção e envio dos arquivos.

Quem está na chuva é para se molhar

É óbvio que a chuva de formatos que estamos observando, resultado da guerra pela soberania do digital publishing, só complica a vida de leitores, autores, editoras e demais profissionais envolvidos no mercado editorial, mas o iBook é só mais um destes formatos, em um mercado ainda na sua infância. O iBooks Author representa sim um avanço em relação ao desenvolvimento de ferramentas de criação mais acessíveis e capazes. Claro que ele traz muitas armadilhas mas, após muito tempo sem nenhuma inovação significativa nessas ferramentas, a iniciativa da Apple está contribuindo para sacudir os ânimos dos desenvolvedores, o que deve render frutos em termos de novos aplicativos. Outro efeito colateral positivo é que, mesmo entre os formatos de eBook mais díspares, como o iBook, há um interesse forte nos uso de padrões abertos da web (HTML, CSS, SVG) como tecnologias de base, até por que ninguém quer reinventar a roda. Uma análise do código de um arquivo iBook mostra exatamente isso. Não costumava ser assim há alguns anos. Já é um avanço.

Como editar um ePub sem descompactá-lo? Comparação de programas

Márcio Duarte, em 20/07/2011. Categoria: Dicas, Resenhas 5

Atualizado em 09/01/2012

Edição de ePUB

O problema

Por ser basicamente um arquivo Zip, o ePub não pode ser editado diretamente pela maioria dos programas de edição de texto. Quando o livro já foi exportado a partir do Indesign ou outro programa semelhante e precisamos editar o conteúdo, como fazemos? Uma das opções é descompactar o arquivo. Parece simples, mas um dos grandes problemas enfrentados para quem produz eBooks no formato ePub é a necessidade de descompactar e recompactar várias vezes o arquivo para visualizá-lo nos diversos eReaders, principalmente na fase de testes, onde não é raro ter de realizar algumas dezenas de operações de compactação no processo de verificar se o livro funciona a contento nos programas leitores. Essa não é exatamente uma operação complexa, existem alguns utilitários específicos para descompactar e compactar o ePub da maneira correta, tanto na plataforma Windows quanto na plataforma Mac. A dificuldade mesmo é realizar essa operação repetidas vezes ao longo dos dias… Haja paciência.

Embora ainda não exista o “programa mágico” da criação de ePub, aquele capaz de realizar todo o trabalho de uma vez só, para qualquer situação e sem causar outros problemas, há alguns aplicativos que permitem editar o código do ePub direta ou indiretamente, sem descompactação. São eles:

oXygen XML Author/Developer

U$349 » multiplataforma (Windows, Linux, Mac e Eclipse)

http://www.oxygenxml.com/

Oxygen XML Editor

Solução completa para edição de XML (uma das principais tecnologias do ePub), é um programa poderoso, porém assustador para quem não tem intimidade com código de forma geral – ou seja, a grande maioria dos designers visuais, autores e diagramadores. Como não é uma ferramenta somente dedicada ao ePub, pode assustar alguns profissionais, pois a interface não é muito “decifrável”, com botões e painéis que não fazem o menor sentido para quem nunca trabalhou com XML ou editou código na vida. Mas se a idéia é simplesmente editar o código do ePub sem descompactar o arquivo, pode ser uma alternativa muito útil, capaz de economizar muitas horas de trabalho extra ao fim do mês.

A versão mais recente tem validação de ePub embutida, o que é uma mão na roda e evita bastante trabalho. O navegador de arquivos dentro do ePub também é muito útil. Outras funcionalidades bem bacanas são a busca e substituição de texto sem descompactar, a comparação de arquivos e a criação de ePubs a partir de modelo pré-existente. Dois pontos negativos: é um programa pesado e o preço não é lá muito convidativo (U$349). Há uma versão de teste de 30 dias disponível, para quem quiser testar.

(UPDATE 05/01/2012: O programa, originalmente chamado OXygenXML Editor, foi separado em três: Editor, Author e Developer. Os dois últimos custam o mesmo, mas a versão Author tem um editor visual. A Developer é mais completa, mas sem o editor visual, possui apenas o editor de código.)

Sigil

Gratuito » multiplataforma (Windows, Linux e Mac)

http://code.google.com/p/sigil/

Sigil

Relativamente fácil de usar, cheio de recursos úteis como validação, fusão de arquivos, limpeza de código, inserção de metadados, criação automática de sumário, esse é um programa totalmente voltado para o ePub que tem tudo para ser “o editor” mas, atualmente, carrega dois um problema grave: impõe uma forma específica de criar a estrutura do ePub, mudando automaticamente a localização ou mesmo apagando arquivos e alterando partes do código sem “pedir licença”, o que pode ser interessante para quem não precisa (ou não quer) se preocupar com esses detalhes, mas acaba causando problemas e torna inviável a edição avançada e mais profissional do código – algo extremamente necessário, considerando a grande quantidade de plataformas, aparelhos e programas nos quais um ePub deve funcionar corretamente. Flexibilidade para fazer o que quiser do arquivo é algo fundamental. Várias solicitações para alterar esse comportamento estão na lista de problemas no site do Sigil, mas ainda sem data específica para implementação . O autor prometeu mudanças nesse sentido.

O segundo problema: o desenvolvedor do programa anunciou que o colocou à disposição para cuidar de outros projetos, o que certamente vai retardar o seu desenvolvimento. (UPDATE 23/07: Um novo desenvolvedor assumiu o projeto).

Como é um programa gratuito e estes são problemas de fácil resolução – prometidos para as próximas versões, vale muito a pena mantê-lo na sua caixa de ferramentas. Na prática, é um excelente programa para criar ePubs rapidamente, mas que acabam exigindo descompatação e edição manual posterior em muitos casos.

Tweak ePub

Tweak ePub

Com interface espartana, esse pequeno utilitário, oferecido pelos criadores do processador de texto Atlantis, permite a edição dos arquivos internos do ePub sem descompactação em um editor de código externo de sua preferência. Bem útil. Não custa nem um centavo e funciona na plataforma Windows. Para pequenas edições é incomparável, mas falta uma interface mais profissional e mais recursos, como, por exemplo, marcar quais os arquivos foram alterados dentro do eBook. Se você trabalha com ePub no Windows, vale a pena conferir.

PDFXML Inspector

PDFXML Inspector

É um aplicativo escrito em Adobe AIR para edição do obscuro formato PDFXML, mas que é capaz de editar ePub sem descompactar. Foi descontinuado pela Adobe por isso não é uma opção muito interessante para uso no dia-a-dia, mas ainda é possível encontrá-lo para download em alguns sites. Não oferece muitas funcionalidades e fica atrás dos demais em quase todos os quesitos, exceto um: é multiplataforma e gratuito. Além disso, não altera o ePub automaticamente, como faz o Sigil. Uma característica suficientemente interessante para mantê-lo no seu HD. Mas se quiser mesmo utilizá-lo, não atualize sua versão do Adobe AIR, senão ele pára de funcionar :o

Springy

U$19,95 » Para macintosh apenas

http://www.springyarchiver.com/

Springy

Não é propriamente um editor de texto, mas sim um utilitário de compactação/descompactação que permite a edição do seu conteúdo (não somente de arquivos ePub, mas também de outros tipos de arquivos compactados, como zip, tar, gzip) sem a necessidade de descompactar antes. Assim, é possível abrir um arquivo XHMTL, por exemplo, no seu editor de texto preferido, alterar e salvar o código. A experiência mostra que é um pouco instável, principalmente se vários arquivos dentro do ePub estão sendo editados simultaneamente, e algumas vezes o aplicativo fecha sem aviso. A exemplo do Tweak ePub, como o código é editado por outro programa, é preciso ficar lembrando em que arquivo do ePub foi feita a alteração, o que é bem contraprodutivo. O próprio desenvolvedor do programa avisou que o programa não foi criado para essa tarefa, então não é recomendado para trabalho crítico com ePub, onde várias edições devem ser feitas simultaneamente.

BBEdit

U$49,99 » para macintosh apenas

http://www.barebones.com/products/bbedit/

BBEdit

Lendário editor para Mac, é um dos melhores programas do mercado para lidar com código. Até pouco tempo atrás, não oferecia tantas vantagens para produção de ePub, assim como outros aplicativos “ilustres” do mesmo gênero, como o Textmate, Notepad++ ou o Coda, mas a recente versão 10 incluiu suporte para edição de arquivos de texto compactados, inédita até então nos programas dessa categoria. Com esse recursos, é possível utilizar os excelentes recursos do BBEdit para editar, buscar, substituir, comparar e salvar o código, como nenhum outro editor, sem abrir o ePub – com exceção do arquivo content.opf, infelizmente. Por exemplo, criar uma tabela em HTML no BBEdit é relativamente simples, algo dificílimo de fazer do Sigil. De todos os programas apresentados, é, sem dúvida, o mais maduro e estável, com os melhores recursos para criar, editar, manter e testar código, mas como não é um programa exclusivo para ePub, faltam diversos outros recursos fundamentais como a validação de código e a preciosa interface criação de metadados, presente no Sigil. No entanto, para quem já trabalha com código e usa Mac, é a opção mais poderosa e flexível.

Até 19 de outubro, a versão 10 deve custar U$39,99 para licensas de um usuário. Após esse período, volta para o valor normal: U$49,9.

Calibre

Gratuito » multiplataforma (Windows, Linux e Mac)

http://calibre-ebook.com/

Janela do comando "tweak ePub" do Calibre

Velho conhecido de quem já se aventurou no processo de conversão de eBooks, o programa tem uma função que permite que se faça alterações no código utilizando um aplicativo externo. Ele descompacta o arquivo para você e oferece a opção de recompactação após a edição. Nos meus testes, o Calibre não alterou o código como o Sigil ao recompactar o arquivo, mas sua eficiência enquanto ferramenta de edição para por aí. O programa não foi criado para manter o controle sobre as edições que permite e acaba sendo mais trabalhoso encontrar o mesmo código depois. Se a idéia é apenas editar o ePub sem descompactar, o utilitário Tweak ePub acaba sendo mais eficiente.

Veredicto

Ainda falta muito – mas muito mesmo – em termos de ferramentas de trabalho eficientes para produção de eBooks em ePub, mas ao menos já temos algumas opções para quem quer evitar o trabalho de recompactação. No momento, a “dobradinha” Sigil + BBedit 10 parece ser a dupla vencedora na plataforma Mac. O primeiro, pode ser utilizado para criação da estrutura básica do ePub, e o segundo, para a edição de código complementar, se necessário. Para Windows, o utilitário Tweak ePub é interessante, mas acaba sendo um “quebra-galho”, carece de recursos, depende de outro programa para ter utilidade e não parece ser um programa com futuro muito promissor. O Sigil acaba ficando mesmo com o primeiro lugar, mas em breve teremos mais uma opção para edição de ePub: o BlueGriffon ePUB edition, a ser lançado em breve, segundo o desenvolvedor.

UPDATE 09/01/2012: A Apple lançou um aplicativo, chamado “Book Proofer” que permite testar um ePub no iBooks sem compactá-lo, simplesmente arrastando a pasta do livro para o aplicativo. É extremamente simples e útil, mas, infelizmente, só está disponível para quem está registrado no iTunesConnect.