7 dicas salva-vidas para projetos de eBooks com iBooks Author

Márcio Duarte, em 09/11/2013. Categoria: Tutoriais 29

Dicas salva-vidas para iBooks Author

Após quase um ano envolvido diretamente com projetos de eBooks para iBooks Author – sobre o qual já falei várias vezes aqui no blog –, é hora de compartilhar algumas dicas úteis que resultaram dessas experiências.

O software é geralmente intuitivo, mas há algumas armadilhas escondidas pelo processo, que só são reveladas durante o trabalho (ugh!). Além disso, algumas operações que seriam simples à primeira vista demandam soluções um pouco mais criativas. Vamos às dicas:

1. Limite a quantidade de elementos multimídia para uma melhor performance de leitura

Por oferecer várias alternativas para conteúdo rico, é fácil aplicar esses recursos indiscriminadamente no iBooks Author. O excesso de imagens, vídeos, áudio, widgets e fontes pode prejudicar fortemente a performance do arquivo e dificultar o download, particularmente em iPads com conexão 3G.

De forma geral, é recomendado usar apenas os recursos que contribuam de verdade para o conteúdo, evitando o “oba-oba” de elementos sem propósito algum.

No caso de livros extensos, com muitos recursos multimídia, é recomendável ficar atento ao tamanho do arquivo final no formato .ibooks, a fim de mantê-lo em níveis aceitáveis, pois, por mais interessante que seja, poucos terão paciência para baixar um livro de 500 mb via 3G…

Confira no site da Apple mais orientações específicas sobre tamanho e performance de arquivos.

2. Faça microcorreções no livro fora do Mac

Vamos supor que seja necessária alguma alteração simples porém urgente no livro, e você só possui um PC à disposição. Se a correção for simples, pode ser feita no Windows mesmo.

A exemplo do ePUB, o arquivo gerado pelo iBooks Author para distribuição final, no formato .ibooks, não passa de um arquivo compactado (.zip) com arquivos XML, XHTML, imagens, fontes e vídeos.

Assim, pequenas alterações no texto do livro – como, por exemplo, a substituição ou a adição de acentos, pontos por vírgulas, traços por hífens, e palavras não editáveis pela interface do iBooks Author (leia a dica 3) – podem ser feitas em qualquer editor de código, em qualquer sistema operacional.

Apenas tome cuidado para não realizar edições muito radicais no texto, ou remover outras partes do código necessárias, pois sem dúvida elas afetarão o layout e podem até mesmo invalidar o arquivo.

Basta mudar a extensão de .ibooks para .zip para descompactar os arquivos do livro, que podem então ser editados no seu editor de código preferido, como o Notepad++, no Windows (figura 1).

Editando o conteúdo de um arquivo do iBooks no Windows

Figura 1. Editando o código do arquivo .ibooks no Notepad++ , no Windows

Após a edição do código, a recompactação pode ser feita por meio de algum dos vários utilitários de compactação de ePUB gratuitos disponíveis pela web. Ao fim desse processo, basta renomear a extensão do arquivo novamente para.ibooks para permitir que o iBooks o reconheça sem problemas.

3. Antes de iniciar um projeto, confira se o idioma do Mac OS é o mesmo do livro

Essa dica é fundamental! Verificar o idioma deve ser o primeiro passo em qualquer projeto (figura 2).

Janela de preferências de idioma no Mac OS X

Figura 2. Alterando o idioma do sistema nas preferências do Mac OS X.

O programa usa alguns rótulos de texto automáticos para descrição de seções e capítulos do livro, como as palavras “capítulo” e “seção“, localizados antes do número (figura 3).

Estes rótulos são extremamente úteis para numerar automaticamente os capítulos e seções.

O problema é que estes rótulos dependem do idioma do sistema. Se este está em inglês, por exemplo, eles serão configurados nesse idioma, definitivamente, e não há como alterá-los no iBooks Author, mesmo alterando o idioma do Mac após o arquivo ter sido salvo. :(

Rótulos automaticos no iBooks Author

Figura 3. Rótulos automáticos no iBooks Author

Mas se você já criou o seu livro de 800 páginas, em português, com seções no idioma em inglês, não se desespere. :) Ainda é possível alterar esses rótulos no código fonte do arquivo .ibooks gerado ao final do trabalho (figura 4), com a ajuda de um editor de texto, conforme descrevi na dica 2.

Editando o código no Sublime Text, no Mac

Figura 4. Buscando o texto a ser trocado no código HTML do livro.

4. Utilize um widget HTML para embutir PDFs

É possível embutir um PDF de múltiplas páginas no livro com a ajuda de um widget HTML personalizado. A técnica é muito simples e preparei um modelo de widget pronto para isso no link abaixo.

[download id="8" format="2"] Formato Zip » Tamanho: 25kb

Para usá-lo, faça o seguinte:

  • Renomeie o seu PDF para arquivo.pdf;
  • Baixe o widget e, no Finder, descompacte o zip;
  • Clique com o botão direito sobre o ícone do widget e escolha a opção “Mostrar conteúdo do pacote/Show package contents“ no menu contextual (figura 5);
  • Arraste seu PDF para o diretório-raiz do widget – substituindo o que está lá – e feche a janela. Pronto! Ele pode ser importado/arrastado para o documento do iBooks Author.

Menu contextual do Finder, no Mac OS X

Figura 5. “Mostrar conteúdo do pacote“ de um widget, no Finder

5. Use botões ocultos para visualizar tabelas, gráficos, vídeos e widgets em tela cheia

Em certas situações, pode ser interessante omitir tabelas, imagens, vídeos e outros elementos extra-textuais do fluxo normal de leitura, e criar links simples para eles dentro do próprio texto, abrindo-os em tela cheia, seja para economizar espaço ou para criar um visual mais “limpo”.

Nativamente, o iBooks Author oferece a opção de criar miniaturas de vários elementos e abrí-los em tela cheia, mas eles ainda ocupam espaço no layout.

É possível resolver a questão inserindo imagens transparentes no lugar dessas miniaturas. Assim, uma tabela, por exemplo, pode ser visualizada em tela cheia a partir de um trecho do próprio texto.

Como é mais simples mostrar do que descrever essa técnica, assista ao vídeo a seguir e baixe o arquivo .iba de exemplo para conferir a técnica na prática. A sequência de passos também está logo abaixo do vídeo.

[download id="9" format="2"] Formato Zip » Tamanho: 8mb

  • Crie uma imagem PNG transparente no seu editor de imagens. Escolha um tamanho equivalente ao ocupado pelo link no texto, pois ela será a área clicável para o leitor. Dimensões um pouco maiores facilitam o clique;
  • No iBooks Author, adicione um estilo qualquer ao texto que funcionará como um hyperlink falso – por exemplo, com uma cor, simulando um link real;
  • A seguir, selecione o elemento (imagem, vídeo, gráfico, widget) que deseja abrir em tela cheia e, no painel Inspetor, acione a opção de “Mostrar objeto como miniatura/Show object as Thumbnail”;
  • Substitua a miniatura padrão pelo PNG transparente criado no passo 1 e posicione o widget (que ficará invisível) abaixo do link.

6. Adicione formas complexas no documento (com a ajuda do Apple Keynote)

É fácil inserir ou desenhar formas básicas no iBooks Author, como quadrados, círculos, estrelas ou polígonos, mas formas um pouco mais complexas são inviáveis de se criar com precisão utilizando as ferramentas nativas.

Mas há uma solução para isso. Usando um pequeno script no Mac, é possível importar qualquer forma vetorial SVG (criadas no Inkscape ou Adobe Illustrator) para o Keynote. Daí, basta simplesmente copiar e colar diretamente para o iBooks Author, que é capaz de reconhecer objetos do Keynote nativamente. Essa formas mais complexas podem ser usadas para mascarar imagens e outros efeitos interessantes (figura 6).

Máscara complexa para imagem no iBooks Author

Figura 6. Forma complexa sendo usada como máscara para uma fotografia.

O script para colocar em prática essa dica é gratuito e pode ser baixado no site do autor. Há também uma versão para exportação nativa a partir do Adobe Illustrator.

7. Trabalhando com objetos em 3D dentro do livro

O iBooks Author permite a importação de objetos em 3D – no formato Collada (.dae) – que podem ser manipulados pelo leitor.

Embora permitam aplicações interessantes, esses objetos podem comprometer a performance do livro caso sejam muito complexos, ou, como dizem os experts em 3D, com “um alto número de polígonos”.

Segundo a documentação do programa, é preciso manter essa contagem de polígonos abaixo de 20.000 para suportar todas as versões do iPad, o que acaba limitando o uso desse recurso na verdade, pois modelos mais interessantes visualmente são naturalmente mais complexos.

A melhor opção é mesmo usar apenas objetos 3D simples. Um bom programa para gerá-los é o SketchUp, que possui uma versão gratuita (figura 7). Dentre os vários programas 3D que testei, foi o que gerou modelos no formato Collada de melhor compatibilidade com o iBooks Author.

Versão gratuita do SketchUP

Figura 7. Modelos 3d simples, construídos no SketchUp

Após criado o objeto 3D, é possível usar o plugin Cleanup – também gratuito – para reduzir a complexidade dos modelos. É rápido e os resultados são satisfatórios com as opções padrão.

* Para importação, o SketchUp só suporta os formatos 3DS e Collada . Se o seu modelo está em outro formato, você pode convertê-lo a partir do Blender, programa 3D de código aberto.

Navegar é preciso: múltiplas listas no ePUB

Márcio Duarte, em 12/02/2013. Categoria: Blog, Laboratório do eBook, Tutoriais 2

Navegar no ePUB é preciso

Um livro pode ser facilmente comparado a um oceano: um mar de conteúdo aguardando ser explorado. Se você é do tipo aventureiro – e a narrativa é linear –, basta iniciar na página um e ser levado pela maré da história, atavessando o oceano da narrativa até o outro lado: o fim do volume, sem ao menos passar pelo sumário.

Mas esse não é o caso para boa parte dos livros. Didáticos, por exemplo, se beneficiam muito da múltiplas listas de figuras, quadros, tabelas e gráficos. Estes instrumentos de navegação adicionais ajudam muito o leitor a se localizar ou simplesmente explorar o livro sob outro ponto de vista.

É importante que, no eBook, os itens dessas listas se tranformem em hiperlinks para facilitar/direcionar a busca pelo conteúdo. Como a navegação pelo conteúdo de um livro eletrônico não é tão intuitiva como em um livro tradicional, elas são fundamentais.

Bússola defeituosa

No mundo do livro impresso, não há muito segredo em criar estes elementos de navegação, os principais programas de edição de texto trazem as ferramentas para isso. Mas no digital, a questão não é muito simples se estes livros foram construídos no Indesign.

O programa da Adobe é bem omisso na tarefa de exportar essas listas para o formato ePUB com seus respectivos links. Apesar de permitir a criação de múltiplos sumários no documento, ele permite escolher apenas uma das diversas listas do livro na janela de exportação (CS5.5 ou superior, figura 1), que será usada para gerar o sumário padrão do ePUB (o arquivo .ncx, no ePUB2, e o arquivo de navegação em HTML, no ePUB3). As demais listas são simplesmente ignoradas no código XHTML gerado pelo Indesign.

Janela de exportação de ePUB do Indesign CS6

Figura 1: Janela de exportação para ePUB do Indesign CS6 – escolha apenas uma lista

Claro, é possível recriar todos os links de cada item das listas manualmente, com a ajuda do recurso de referências cruzadas, mas isso está muito longe do ideal. Felizmente, há uma forma alternativa de suplantar as deficiências do Indesign, ao menos no quesito “listas”, como veremos a seguir.

Reorientação com o Sigil

As múltiplas listas de navegação de um documento do Indesign podem ser facilmente recriadas posteriormente no ePUB exportado, utilizando o Sigil. O segredo é, ainda no Indesign, antes da exportação, mapear tags de cabeçalho (headings, <h1> a <h6>) nos estilos de parágrafo dos itens de cada lista desejada: uma tag “h” para cada tipo de lista (figura 3), usando a opção “Editar todas as marcas de exportação”, no menu do painel de estilo de caractere ou de parágrafo. A ordem aplicação dos níveis de tags de cabeçalho nos estilos que serão usados nas listas não é importante

Janela de mapeamento de tags do Indesign CS6

Figura 2: Mapeando os estilos de parágrafo com as tags de cabeçalho antes da exportação

Os frames com as listas geradas originalmente pelo Indesign devem ser removidos antes da exportação. A seguir, exporte o ePUB pelo Indesign e siga os seguintes passos:

1 Gerando novo sumario interno

Abra o ePUB no Sigil e acione o gerador de sumário no menu “Tools > Table of contents > Generate Table of contents” (“Ferramentas > Sumário > Gerar sumário” . Crie a primeira lista, selecionando a tag de cabeçalho que atribuiu à ela no Indesign, excluindo todos os demais níveis (figura 3).

Gerador de sumários do Sigil

Figura 3: seleção das tags de cabeçalho correspondente aos elementos da lista

2 Gerando novas listas em XHTML

Logo em sequida, acione a opção para gerar a lista em HTML no menu “Tools > Table of Contents > Create HTML table of contents” (“Ferramentas > Sumário > Criar sumário HTML” ). O Sigil criará um novo arquivo (TOC.xhtml) incluindo apenas os elementos da lista desejada (figura 4);

Janela de edição de código do Sigil

Figura 4: Arquivo TOC.xhtml, com código gerado para lista de tabelas.

3 Possibilitando a geração de mais listas

Essa é a parte mais importante: renomeie o arquivo TOC na interface do Sigil (clique com o botão direito em cima no nome do arquivo) e substitua, na seção do content.opf, o trecho de código que faz com que o Sigil reconheça esse arquivo como um sumário propriamente dito, de type="toc" para type="text" (figura 5).

Seção "guide" do content.opf, dentro do ePUB

Figura 5: alterando o código no content.opf

4 Listas adicionais

Para criar mais listas, repita os passos 1 a 3. Ao fim do processo, recrie o sumário principal com o mesmo recurso, a fim de restaurar o arquivo .ncx com todos os níveis de título e subtítulo originais do texto.

Se quiser incluir os títulos das listas como links no sumário padrão, altere as tags dos títulos para <h1>. Assim o Sigil as reconhecerá na interface do gerador de sumário. Para terminar, reorganize os arquivos xhtml na ordem de leitura desejada, no explorador de arquivos do Sigil (Book Browser).

Também é interessante manter a semântica do código, usando o mesmo nível de tags de cabeçalho em todo os títulos de figuras, quadros, tabelas etc, o que se resolve com uma simples busca e substituição.

Uma última observação: como o HTML considera apenas seis níveis de cabeçalho (<h1> a <h6>) e o Sigil não reconhece outras tags na geração de sumários, a quantidade de listas é limitada. É preciso reservar as tags mais importantes para o texto (<h1> para títulos, <h2> para subtítulos nível 2 etc), usando as tags restantes para as listas.

Clique no botão abaixo para baixar os arquivos originais do Indesign e o ePUB final com múltiplas listas de navegação para testar a técnica demonstrada neste artigo:

[download id="7" format="2"] Formato Zip » Tamanho: 1.3mb

Navegação para além-mar

A verdade é que estes modelos de navegação vindos do livro tradicional não são totalmente adequados para o digital, até porque não há mais cola e lombada para ditar a ordem de leitura. Conteúdo vivo – não linear, colaborativo – é o futuro do livro digital, desafiando a forma tradicional como textos são lidos, criados, encontrados e compartilhados. Mas enquanto essa promessa não se solidifica, é preciso ao menos oferecer ao leitor formas práticas e conhecidas de encontrar o que procura.

A especificação ePUB3 vem aos poucos vislumbrando formas mais atualizadas de resolver a questão da navegação, prevendo várias alternativas para explorar o conteúdo do livro, por meio de múltiplas listas, no novo documento de navegação, mas ainda não há solução padronizada para outros itens fundamentais: índices, referências cruzadas, glossários e anotações – estes são assuntos ainda em discussão.

Crédito da foto usada como base para ilustração do artigo: Zach Klein (cc)

Criando publicações digitais para múltiplas resoluções via Adobe DPS

Márcio Duarte, em 12/04/2012. Categoria: Dicas, Tutoriais 0

Adobe DPS e iPad 3Com a resolução altíssima do novo iPad, como fica a criação de publicações via Adobe DPS? Quais as melhores práticas e métodos de trabalho? Para responder a estas e a outras perguntas, o Adobe disponibilizou recentemente um screencast voltado a esse assunto, onde o evangelista de Digital Publishing Colin Fleming mostra na prática como criar folios para múltiplas resoluções de tela, utilizando o conceito de “renditions”. Com ele, será necessário criar um folio otimizado para cada resolução de tela, o que deve evitar, a princípio, problemas de performance no aplicativo final. Fica claro também que o PDF é o formato mais adequado para os assets do seu folio, contribuindo muito para reduzir o tamanho dos arquivos.

ASSISTA AO SCREENCAST » (em inglês, com 54 minutos de duração)

Mais informações sobre as mudanças no fluxo de trabalho no DPS ocasionadas pelo novo iPad podem ser encontradas no respectivo PDF da Adobe sobre o assunto.