Testando seus ePUBs: Calibre Content Server
Apesar da maior parte dos dispositivos e aplicativos de leitura de livros digitais se basearem em apenas dois motores de renderização de eBooks, – Webkit e Adobe Reader Mobile SDK – não é raro encontrar variações na interpretação do código entre os programas que usam o mesmo motor, principalmente em livros com formatação mais complexa, simplesmente por que há diferentes versões e implementações desses engines. Na prática, testar o seu ePUB para garantir a ele o título de “livro multiplataforma” acaba indo além de validá-lo somente no iBooks (Webkit) ou no Adobe Digital Editions (RMSDK), dois dos maiores representantes dos referidos motores. É recomendável testá-lo também em outros programas e aparelhos de leitura, um processo que, geralmente, leva tempo e, na grande maioria dos casos, não conta com ferramentas especializadas para isso (Nota: em breve um post sobre quais eReaders e aplicativos são mais recomendados para testar seus eBooks).
Sem fios!
No caso dos eReaders com tela e-ink, as opções padrão se limitam a conectar o dispositivo ao desktop via USB para ter acesso ao espaço de armazenagem interno e só então copiar o seu livro para a pasta correspondente, de forma direta, via sistema, ou com a ajuda de outro programa, como o ADE, em um processo conhecido como sideloading. Para visualizar se a sua alteração no código foi bem sucedida, é necessário ejetar esse volume interno e, só então, atualizar a biblioteca do dispositivo… isso para cada dispositivo de teste. Executar uma tarefa como essa repetidas vezes, ao longo de semanas, não é nada produtivo.
Mas no caso de tablets e smartphones, há mais flexibilidade no processo de sideloading, que pode ser feito via Wi-Fi ou mesmo remotamente, pela web. Nesta série de artigos, veremos quais são as principais opções para testar seus livros com mais eficiência nas principais plataformas do mercado, suas vantagens e desvantagens, começando pelo…
Calibre Content Server
O Calibre, velho conhecido gerenciador de livros digitais para múltiplas plataformas, pode ser usado como um servidor de arquivos particular, baseado no sistema OPDS (Open Publication Distribution System) que é muito útil para testar seus livros diretamente via Wi-Fi, ou via web, nos programas que suportam o OPDS, como o Aldiko e o Moon+ (veja uma lista completa de programas que “conversam” com o Calibre). Assim, você pode simplesmente arrastar seu livro para a janela do Calibre e ele estará disponível diretamente na interface de adição de bibliotecas do programa de leitura do seu gadget Android que tenha acesso sem fio. Há outras opções para carregar arquivos remotamente, mas nenhuma oferece uma solução tão universal, especificamente voltada a eBooks como o servidor OPDS.

Figura 1: Biblioteca do Calibre e a interface do servidor de livros
Mesmo nos dispositivos iOS (iPhone, iPad, iPod Touch), o servidor interno do Calibre é uma alternativa para carregar seus livros mais rapidamente nos programas de leitura sem conectar o dispositivo via USB. Abrindo o endereço do servidor do Calibre no Safari Mobile, é possível escolher em que aplicativo deseja abrir o arquivo ePUB: um recurso nativo do sistema da Apple.

Figura 2: Abrindo o servidor do Calibre pelo Safari Mobile, no iPad
Vantagens
- Funcionalidade grátis e multiplataforma;
- Atualização sem fios: é mais flexível que o sideloading tradicional via USB, permitindo que possa ser usado em vários aparelhos ao mesmo tempo;
- Funciona com os aplicativos de leitura também no emulador do Android, caso você não tenha um dispositivo real (mais sobre isso, em um próximo artigo);
- A solução mais universal para testar seus livros nos aplicativos de ePUB do Android (e em alguns eReaders também);
- Pode ser usado também para criar a sua biblioteca pessoal na nuvem.
Desvantagens
- Não é uma solução criada especificamente para produtores de eBooks, como o Book Proofer da Apple é para o aplicativo iBooks (iOS). Nele, o livro pode ser editado sem envio para a biblioteca e atualização no eReader, todo o processo é feito pelo aplicativo, que atualiza constantemente o iBooks a cada alteração. Mas como o Calibre não foi criado com essa finalidade, não há muita esperança nesse sentido.
Como usar
1º passo: no Calibre, vá até o menu “Preferências > Preferências” e clique na opção “Compartilhando pela rede”. Verifique as configurações e ative o servidor no botão “Iniciar servidor”.

Figura 3: Janela de preferências do Calibre
2º passo: adicione o seu livro à biblioteca do Calibre;
3º passo: ainda no computador, verifique o seu número IP na rede local (saiba como encontrar o seu IP no Windows e no Mac).

Figura 4 : Janela de rede nas preferências do sistema do Mac
4º passo: abra o programa de leitura desejado (Aldiko, Moon+, FBReader etc) no seu dispositivo (tablet, smartphone) e localize a função para adicionar um novo catálogo. No Aldiko, por exemplo, clique no ícone de carrinho de compras, depois do botão do aparelho e em “Meus catálogos”. Clicando no botão “+” você adiciona um novo catálogo. Insira um nome para o seu catálogo e o seu IP, seguido da porta especificada nas preferências do Calibre. Um exemplo: 192.168.1.20:8080 (o valor após os dois pontos é o número da porta).

Figura 5: Inserção do endereço do servidor. À esquerda, no app Moon+, à direita, no Aldiko
Abrindo o link para o servidor você encontrará todos os livros no catálogo do Calibre que estão no seu desktop. De lá você pode adicionar livro à biblioteca do aplicativo.

Figura 6: Interface do catálogo no Moon+ e no Aldiko, com todos os livros da biblioteca criada no desktop
5º passo: Para visualizar no eReader as alterações no código do seu livro feitas a partir do desktop, adicione o livro novamente à biblioteca do Calibre e atualize o catálogo do aplicativo de leitura (clique no botão voltar do seu dispositivo e abra novamente o link).
Não há dúvidas que esse processo está longe do ideal. Testar livros nos ereaders, tablets ou smartphones ainda é um processo pouco eficiente, mas a solução oferecida pelo Calibre já auxilia nessa etapa. No próximo artigo da série, veremos como uma abordagem alternativa para testar seus livros durante o desenvolvimento: pela dobradinha Wi-Fi/FTP.
eBook HD: o display retina e os impactos na produção
Com 75% de participação no mercado de tablets, é óbvio que o iPad dita o ritmo da adoção das tecnologias utilizadas no dia-a-dia de quem trabalha com produção de conteúdo editorial digital. Não deve ser diferente com a introdução da tela do tipo “retina”, com resolução de 2048 x 1536 pixels, no novo iPad. Considerando o impacto dessa tecnologia no desenvolvimento de apps, após o lançamento do iPhone 4, algo semelhante deve ocorrer na produção de livros e revistas digitais.
No caso dos aplicativos para iOS, desenvolvedores tiveram que adaptar seu fluxo de trabalho de forma a incluir versões em maior resolução de imagens e vídeos. eBooks criados como apps devem seguir por um caminho parecido. Várias plataformas de criação de revistas digitais, com o Adobe DPS, Mag+ e Aquafadas Publishing System já incluíram ou planejam incluir suporte a esse display. Já aqueles criados no formato ePUB tem seus próprios desafios, como veremos neste artigo.
Implicações (ou complicações) para a produção
A regra é clara: quanto mais imagens e vídeos o seu ePub tiver, maior o impacto no trabalho. ePUBs de layout flúido, onde o texto predomina, não serão impactados de forma significativa, pois a apresentação do texto independe de resolução. Mas em se tratando de ePUBs que usam muitas imagens – e vídeos –, sejam de layout fixo ou layout flúido, os impactos são significativos. Criar um ePUB ricamente ilustrado, realmente multi-plataforma, passa a ter várias (im|com)plicações:
- Imagens maiores impactam na performance de leitura: leitores de eBook possuem caracterísitcas de hardware muito distintas. Um arquivo leve e com código otimizado é essencial para garantir uma boa experiência de leitura entre os eReaders. Uma versão otimizada para o iBooks, no iPad3, repleta de imagens em altíssima resolução, pode sofrer de lentidão extrema em um eReader instalado em um celular Android, com hardware menos capaz. A própria Apple sugere que, para otimizar a performance do arquivo, a soma das imagens utilizadas em cada arquivo XHTML de um livro não seja maior que 10mb (sem compressão).
- Há um limite de 50mb para download de arquivos no iOS via 3G: arquivos com tamanho acima disso vão limitar o acesso ao seu livro para leitores que usam 3G para baixar livros. Normalmente, um ePub não chega a tanto, mas há casos onde isso é uma realidade. Alcançar um equilíbrio entre alta qualidade das imagens e fácil acesso ao livro passa a ser mais importante nestes casos.
- Imagens com texto embutido (gráficos, infográficos e mapas) dependem do tamanho de apresentação: um mapa ricamente detalhado, em alta resolução, pode se beneficiar do recurso de zoom nativo do iBooks, no novo iPad, revelando detalhes importantes e melhorando a legibilidade de eventuais trechos de texto. O mesmo mapa não terá a mesma chance em um leitor de eBooks como o Aldiko, um dos mais populares na plataforma Android, mas que não permite redimensionar a imagem. O texto em arquivo assim simplesmente se torna ilegível. Esse é um problema antigo do formato ePUB, mas fica mais evidente por causa na discrepância na resolução das telas. Encontrar um meio termo entre as duas plataformas pode não ser possível em certas situações.
- Bancos de imagem cobram por resolução: caso você não produza suas próprias fotos, ícones, vídeos e ilustrações, e conte com um banco de imagens, prepare-se, pois o custo é diretamente dependente do tamanho em pixels que pretende adquirir. Versões vetorizadas, independentes de resolução, também são mais caras que versões em bitmap, quando disponíveis.
- Maior tempo para produção: com imagens em alta resolução, apresentadas em telas mais capazes, fica mais evidente a necessidade de otimização do tamanho do arquivo e o cuidado com o tratamento da imagem. Por exemplo: um detalhe praticamente imperceptível em baixa resolução pode revelar detalhes “não desejáveis”, digamos assim, em uma imagem de alta resolução. Algo semelhante ocorreu na transição da TV analógica para a digital. Além disso, a gama de cores (gamut) do novo iPad é a maior entre os tablets. Há muita variação entre os displays. Imagens nas quais a cor seja um elemento crítico, demandam maior cuidado – e mais trabalho – na edição.
Estratégias e possíveis soluções
Ok, a tela retina representa, em tese, mais custos e mais trabalho. Mas como resolver algumas destas questões? Veremos que é possível minimizar alguns dos impactos na produção com uma boa dose de estratégia. Veja algumas dicas:
- Verifique se é mesmo necessário adicionar imagens em alta resolução. Em muitos casos, pode não valer a pena reduzir a performance de leitura em relação ao ganho de qualidade. É sempre importante verificar esse equilíbrio antes de tomar a decisão de adicionar suporte à tela retina do iPad. O iOS possui um sistema nativo de redimensionamento que cuida para manter o tamanho relativo da imagem mesmo na tela retina. Isso quer dizer que suas imagens não ficarão piores, apenas não se beneficiarão da altíssima resolução da tela.
- Adote independência de resolução: daqui em diante, utilizar recursos como SVG, CSS e formatos vetoriais nos programas de ilustração e edição de imagem é uma alternativa para fugir de alguns dos problemas causados pela variação na resolução das telas. Programas como Illustrator, Inkscape, Skencil – os dois últimos gratuitos –, são boas pedidas para criar conteúdo independente de resolução. Mas mesmo no Photoshop, tradicionalmente um programa voltado a pixels, é possível contar com vários elementos vetoriais que podem ser escalonados sem prejuízo para a qualidade, e salvá-los para a resolução final de apresentação. Para fotografias, no entanto, a solução parece mesmo adiquirir ou produzí-las em alta resolução desde o início. Do lado das tecnologias web, folhas de estilo CSS e SVG podem ser responsáveis por vários recursos gráficos que eliminam a necessidade de usar imagens nos seus eBooks.
- Otimize suas imagens: mesmo gráficos produzidos a partir de formatos vetoriais nos programas podem se beneficar de otimização. Há várias ferramentas disponíveis na web para reduzir o tamanho dos arquivos sem comprometer muito a qualidade, com bons resultados. Além disso, lembre-se de utilizar o formato certo para cada tipo de imagem. Ícones, gráficos e outras imagens com cores chapadas se beneficiam do formato PNG. Fotografias e imagens com degradês e uma dose de ruído ficam menores no formato JPEG.
- Use media queries para disponibilizar versões em alta resolução das suas imagens apenas para o leitor de eBooks da Apple: felizmente, o iBooks reconhece essa propriedade do CSS3 que permite formatar e apresentar conteúdo de acordo com a plataforma de leitura. Assim, podemos garantir uma melhor performance do arquivo, limitando a quantidade de recursos e código de acordo com a plataforma.
O nome do jogo
Após anos de uma divisão bem clara entre impresso e digital no quesito resolução de conteúdo bitmap, a tendência rumo a conteúdo HD no mercado editorial digital chegou para ficar. A julgar pelas reações à nova tela pela web, a demanda popular por conteúdo editorial em HD deve começar em breve. Alta qualidade passa a ser o nome do jogo, e os produtores devem, naturalmente, se adaptar a essa tendência.
iBooks Author: uma bela ilha no meio do oceano

Do ponto de vista do design e da produção de livros digitais, o lançamento do iBooks Author, programa gratuito para Mac que permite a criação de livros eletrônicos de forma totalmente visual, representa um avanço, não há dúvida. É mesmo uma boa ferramenta para quem ainda se sente intimidado com a criação de eBooks com layout e interatividade avançados. Até o lançamento do programa, para criar determinados tipos de livro com recursos mais “vistosos” – como os didáticos – era necessário produzir um aplicativo (como os produzidos pelo Adobe DPS) ou se contentar com o PDF.
Quanto ao ePUB, o suporte nos eReaders é tão ruim e irregular que mal pode ser considerado uma opção real para publicações com layout complexo, sem falar que para produzir algo do tipo é necessário um elevado conhecimento das particularidades de tecnologias que compõe o ePub e dos sistemas de leitura – o que faz muitas pessoas torcerem o nariz. Criar visualmente é o modus operandi básico de quem tradicionalmente trabalha com edição de livros e a necessidade de lidar diretamente com código representou um baque forte nas espectativas dessas pessoas. A verdade é que quem esperava uma oportunidade de criar conteúdo editorial para a plataforma iOS, de forma visual, a um custo de produção menor – sem as taxas da solução da Adobe –, com interatividade e recursos avançados, encontra uma luz no fim do túnel com o iBooks Author.
Tour do iBooks Author
Quem não quer um livro livre?
Ok, o programa é um avanço em termos de produção, mas ele não elimina a necessidade de se trabalhar também com o formato ePub, por um motivo muito simples: liberdade. Seu iBook interativo, cheio de animações, enquetes e vídeos, só estará disponível para uma parcela muito pequena dos leitores – aquela com recursos para comprar um iPad ou iPhone, caríssimos por essas bandas, sem falar que para colocar à venda seu livro didático, é necessário passar por um processo bizantino para conseguir uma conta específica para venda na iBookstore e fazer o envio do seu eBook partir de um Mac com o OS X Lion instalado – existe uma forma de fazê-lo a partir do sistema anterior, o Snow Leopard, mas ela não é oficial. Para piorar, embora o iBook use descaradamente a mesma estrutura e convenções do ePub, é inviável utilizar o código gerado como ponto de partida para desenvolver um ePub, tanto pelo uso de extensões proprietárias, que permeiam boa parte do código, quanto pelas restrições legais impostas pela Apple, que fez um bom esforço para “embraralhar” o código do formato iBook. O formato KF8, do Kindle, sofre de um mal parecido. Nesse sentido, o ePUB ainda é – e continuará sendo – a melhor aposta para o mercado editorial digital de longo prazo, mesmo com todos os desafios que representa.

Código extraído de um iBook: Parece ePub… mas não é. ![]()
Avançado e limitado ao mesmo tempo
O funcionamento do iBooks Author, apesar de ser uma versão 1.0, é excelente, como costuma ocorrer com todos os programas da Apple: intuitivo, simples e poderoso ao mesmo tempo. É capaz de criar livros que “enchem os olhos”, ainda que a forma utilizada para criá-los fuja completamente do estilo dos programas de editoração eletrônica, como Indesign e QuarkXpress. É muito semelhante ao Keynote, do pacote iWork, e imagino que aproveitaram boa parte do seu código-fonte durante o desenvolvimento. Mas, assim como o Keynote, seu formato proprietário acaba por limitar sua utilidade, principalmente em um universo tão amplo de dispositivos e plataformas de leitura. Sem integração com o ePub, por exemplo, para publicar seu livro em outra loja online é necessário desenvolver duas versões praticamente independentes de um mesmo conteúdo. Seria fantástico se houvesse uma integração com o ePub, mas não esperaria isso da Apple. Há uma esperança, no entanto. Há gente dentro da Canadense Kobo e no time do eReader BlueFire interessada em desenvolver algo do tipo.
Keynote e iBooks Author: irmãos gêmeos
Resumo da ópera: uma publicação no formato iBook é como uma ilha no meio do Pacífico: bela e isolada. Não há integração alguma dela com os fluxos de trabalho atuais do digital publishing, além de só poder ser colocada à venda em uma loja específica (iBookStore), para leitura em apenas um aplicativo (iBooks) de uma única plataforma (iOS). Ainda há dois agravantes que devem limitar o uso da ferramenta no Brasil: as peculiares exigências da Apple para criar uma conta específica do iTunes Connect, necessárias para colocar os livros à venda, e a obrigatoriedade de utilizar a plataforma Mac para produção e envio dos arquivos.
Quem está na chuva é para se molhar
É óbvio que a chuva de formatos que estamos observando, resultado da guerra pela soberania do digital publishing, só complica a vida de leitores, autores, editoras e demais profissionais envolvidos no mercado editorial, mas o iBook é só mais um destes formatos, em um mercado ainda na sua infância. O iBooks Author representa sim um avanço em relação ao desenvolvimento de ferramentas de criação mais acessíveis e capazes. Claro que ele traz muitas armadilhas mas, após muito tempo sem nenhuma inovação significativa nessas ferramentas, a iniciativa da Apple está contribuindo para sacudir os ânimos dos desenvolvedores, o que deve render frutos em termos de novos aplicativos. Outro efeito colateral positivo é que, mesmo entre os formatos de eBook mais díspares, como o iBook, há um interesse forte nos uso de padrões abertos da web (HTML, CSS, SVG) como tecnologias de base, até por que ninguém quer reinventar a roda. Uma análise do código de um arquivo iBook mostra exatamente isso. Não costumava ser assim há alguns anos. Já é um avanço.





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