Workshop da Simplíssimo em Brasília

Márcio Duarte, em 10/10/2011. Categoria: Notícias 0

A Simplíssimo vai realizar um dos seus conhecidos workshops sobre produção de eBooks em Brasília, dias 07 e 08 de novembro. É o primeiro curso da empresa na cidade e uma boa oportunidade para saber mais sobre os detalhes técnicos da construção de eBooks no formato ePUB. Não percam! O workshop será na Microtécnica, na 702/703 Norte. As inscrições podem ser feitas no site da Simplíssimo.

Padronização do design dos eBooks: hyperlinks

Márcio Duarte, em 16/09/2011. Categoria: ePub Bugs, Laboratório do eBook 0

O suporte a folhas de estilo CSS nos leitores de ePub é muito irregular, para não dizer sofrível. Mesmo atributos simples como uma simples alteração de cor nos hyperlinks não é garantida em todos os leitores. O iBooks, leitor de eBooks da Apple que usa o motor de renderização Webkit, é um exemplo disso. Recusa-se a aceitar a alteração na cor dos links, mesmo se o CSS for aplicado inline, junto ao código, o que deveria ter a preferência sobre outros estilos. A cor padrão aplicada pelo programa é um púrpura (fig. 1) que possui pouco contraste com a cor preta padrão do texto. O resultado é que muitos links são difíceis de encontrar à primeira vista. Mudar a sua cor da forma padrão não funciona no iBooks. Por exemplo: ao usar o CSS a { color: red; }, nada acontece. A mesma cor púrpura de sempre é utilizada. Se aplicarmos estilos inline (diretamente no código HTML) a cor é alterada, mas este tipo de aplicação do CSS é difícil de introduzir e atualizar. Isso acontece no iBooks, no Adobe Digital Editions (e em todos os eReaders que usam a mesma base, o Adobe RMSDK) estilos inline não são obedecidos.

Onde estão os links nessa página?

Figura 1: Um doce para quem encontrar os links neste texto :)

Investigando o problema

Mas será que não é mesmo possível alterar essa cor mantendo um padrão entre os diferentes eReaders? E outros atributos, como underline e cor de fundo? Como outros programas/dispositivos leitores se comportam nesse quesito? Para buscar soluções, criei um ebook de teste (Baixe: [download id="3"]) com diversas formas de se estilizar um link via CSS para testá-lo em diversos eReaders, e verificar como se comportam de acordo com o tipo de código: estilos inline, em folhas de estilo externas ou no cabeçalho do HTML. Como o iBooks utiliza o Webkit para renderizar as páginas, testei também várias extensões CSS desta engine para verificar como o eReader da Apple se comporta. As extensões CSS (ou CSS vendor extensions) do Webkit, assim como as de outros motores de layout como o Gecko (Firefox) e Trident (Internet Explorer), são propriedades de estilos CSS que afetam somente os programas que os utilizam como base, e não funcionam nos programas que não as usam. Assim podemos aplicá-los para (tentar) resolver problemas como estes, sem prejuizo algum para a interpretação do código do ePub.

Fiz algumas descobertas interessantes:

  • Como havia dito, uma parte dos eReaders, entre eles os que usam a mesma base do Adobe Digital Editions, simplesmente não reconhecem estilos inline, aplicados junto do código. O CSS especificado em uma classe ou diretamente à tag <a>, por meio de um CSS externo, foi aplicado corretamente. O iBooks, por sua vez, reconheceu os estilos inline, mas não os externos (por classe ou aplicados à tag <a> :P ;
  • No iBooks, se o texto do link estiver envolto por uma tag span, é possível alterar a cor do texto do link e a cor de fundo, mas o underline é mantido em outros leitores, pois é uma propriedade do link em si;
  • O CoolReader (programa relativamente popular e bastante utilizado na plataforma Android) não reconheceu os estilos aplicados por meio de “id” ou diretamente à tag <a> no CSS externo, apenas aqueles aplicados por meio de “class”;
  • Ao enclausuar o texto do link em uma tag <span>, o Nook ignorou a cor de fundo do link;
  • A extensão -webkit-text-fill-color é capaz de alterar a cor do texto do link no iBooks sem prejudicar a funcionalidade. A boa notícia é que outros eReaders que utilizam o Webkit também se beneficiam da mudança. Nos meus testes, os programas de leitura Stanza (iPad), iBis Reader (Online) e Moon+ Reader (Android) responderam à propriedade CSS -webkit-text-fill-color, ou seja, aplicaram a cor corretamente;
  • Inserir no ePub o arquivo com.apple.ibooks.display-options.xml, um arquivo geralmente utilizado em ePubs de layout fixo do iBooks, faz com que o programa aceite qualquer cor de link (permite também que fontes embutidas sejam utilizadas), mesmo sem a extensão -webkit-text-fill-color. Mas como é usado apenas no iBooks, não é uma opção muito universal;
  • Parece ser uma prática relativamente comum entre vários eReaders (Stanza, Laputa, FBReader e mesmo o Aldiko para Android) adotar uma espécie de pré-processamento do código, ou seja, ao ser aberto, o conteúdo do ePub é extraído e é renderizado pelo programa com a ajuda do seu próprio CSS, ignorando o CSS embutido no arquivo. Alguns leitores oferecem a possibilidade de carregar esse CSS especificado pelo designer, outros não (Laputa, FBReader, Stanza Desktop). Isso dificulta muito a padronização do projeto visual do ePub, pois cada eReader tem sua opinião sobre a melhor forma de apresentar o ePub, e ela nem sempre é a melhor possível. Seria importante que os programas permitissem que os estilos propostos pelo designer fossem carregados primeiro, assim como acontecem nos navegadores no caso de websites. Alguém já navegou em algum site onde o design do site foi todo redefinido pelo navegador ao ser aberto, sem sua solicitação? Creio que não.

Galeria 1: Imagens das telas de alguns eReaders. Note a discrepância na interpretação dos links.

Conclusões

A melhor abordagem ao estilizar links no ePub é aplicar uma classe qualquer à tag em questão e especificar os estilos em um arquivo CSS externo para afetar os eReaders baseados no RMSDK da Adobe, incluindo a propriedade -webkit-text-fill-color para os programas que usam Webkit, principalmente o iBooks. Não enclausure o texto do link em nenhuma tag, aplique o estilo à classe, se preciso. Assim, para especificar cor nos links dos seus ePubs inclua sempre no seu código:

/* HTML */
<a class=“link” href=“http://www.seulink.com”>Texto do link</a>
/* CSS */
a.link {
color: #suacor;
-webkit-text-fill-color: #suacor;
}

Esta é solução mais universal para estilização de links. Ainda assim, alguns eReaders como o FBReader e o Laputa Reader para Android sobrepõem completamente o CSS criado pelo designer do ePub. Outros, como o Moon+ Reader e o Aldiko, também para Android, só aceitam o CSS se o leitor especificar deliberadamente essa opção nas configurações do programa. Neste caso, não há muito o que fazer, mas como o código não interfere nos demais estilos e na performance do arquivo, é uma opção viável.

Lembrando que essa abordagem de usar extensões Webkit pode ser aplicada para buscar a solução de outros tipos de problemas de interpretação do CSS nos eReaders que usam esse “motor”, como o iBooks e o Stanza (iPad), mas não a utilize isoladamente para recursos fundamentais do livro, pois somente os eReaders com Webkit serão capazes de apresentá-los. O ideal seria mesmo que a especificação ePub (e o CSS que ela suporta) fosse implementada corretamente nos eReaders, mas até lá soluções como essa serão necessárias.

Padronização do visual do ePub: futuro distante

A dificuldade em se aplicar cores a um simples hyperlink mostra a complexidade em se produzir ePubs que fujam do default dos programas e busquem uma padronização no projeto visual do Livro eletrônico. Ainda estamos longe do estágio em que um arquivo com layout mais avançado seja lido de forma padronizada nos mais diversos eReaders. Quem sabe com a adoção do ePUB3 isso começa a se resolver. Até lá, muito teste e cautela na aplicação de estilos CSS para o ePub.

Um livro de mil faces » Parte 2

Márcio Duarte, em 10/08/2011. Categoria: Be-a-Bá do eBook 5

formato ePub: o padrão flúido de eBooks

1. Introdução 2. ePub 3. Apps 4. PDF 5. Kindle

Seguindo a série de artigos sobre os formatos de eBooks mais relevantes para mercado editorial, vamos falar sobre o ePub, certamente o mais importante para o setor editorial, no Brasil e no exterior.

ePub: o padrão flúido de eBooks
Nome completo
Eletronic Publication
Extensão do arquivo
.epub
Relevância *****

Por que é importante?

Se você é designer, diagramador ou autor com intenções de editorar seu próprio livro, comece já a entender o formato. Ele vem sendo largamente adotado no mercado editorial mundial e fortemente no Brasil como padrão de eLivros. Algumas das principais lojas e livrarias virtuais (Cultura, Submarino, Saraiva, PontoFrio) já disponibilizam livros eletrônicos em ePub. Existem até rumores de que a Amazon, históricamente avessa ao formato, esteja planejando adotá-lo no seu eReader Kindle, dada a sua crescente popularidade – mas nada disso foi comprovado ou tem indícios concretos ainda.

Um exemplo da crescente adoção do formato: a O’Reilly Media, uma das maiores editoras de livros na área de tecnologia, divulgou um gráfico mostrando que entre os vários formatos de livros eletrônicos vendidos em sua loja online, o ePub é o que teve, proporcionalmente, o maior crescimento no número de downloads (o PDF ainda é o mais baixado em números absolutos).

Gráfico mostrando a evolução de downloads de eBooks no site da O'Reilly

Figura 1: a área azul escuro do gráfico mostra o crescimento do número de eBooks no formato ePub baixados na loja virtual da O’Reilly.

Uma das principais barreiras ao ePub é a irregularidade na interpretação do arquivo pelos aparelhos e programas, o que dificulta a criação de livros com recursos mais avançados ou com um padrão visual mais consistente, fundamental para cartilhas e livros com conteúdo educacional. Como se sabe, este tipo de publicação recebe altos investimentos governamentais e pode ser o que falta para impulsionar o crescimento dos livro digital. Isso deve acontecer à medida que os eReaders se tornem mais populares e o padrão EPUB3, o divisor de águas para o formato, a ser lançado em breve, seja finalmente adotado.

Moral da história: o ePub veio para ficar, invista nos conhecimentos necessários para produzí-lo.

Características:

Atualmente na versão 2.1, é baseado em padrões abertos (ou seja, não utiliza tecnologias proprietárias), principalmente nas linguagens padrão da internet: HTML, CSS e Javascript – esta útlima, estará presente oficialmente somente na próxima versão, o ePub3, mas é suportada no programa leitor de ePub da Apple, o iBooks.

Vídeo 1: Demonstração básica da leitura de um ePub

Basicamente, um ePub é um arquivo zip com arquivos de texto puro sob diversas extensões, como .xhtml, .opf, .xml, mas pode também incluir diversos outros tipos de arquivo, como imagens, fontes tipográficas, áudio e vídeo. Alguns o definem como um site compactado, mas isso não é bem verdade, pois um ePub possui caracterísitcas bem distintas quanto às funcionalidades e contexto de utlização, como, por exemplo, a definição de uma ordem de leitura linear e o layout extremamente limitado. Quanto à produção, no entanto, há várias semelhanças com um site, e aqueles profissionais já acostumados a criar conteúdo para a web se sentirão mais à vontade nesse território.

Estrutura de arquivos de um ePub

Figura 2: Janela mostrando a estrutura de arquivos de um ePub descompactado.

Figura 3: Diferenças na visualização do mesmo ePub entre diferentes aparelhos.

O ePub é flúido, ou seja, o conteúdo se adapta a cada aparelho (não há um tamanho de página fixo como em um PDF, por exemplo), o que transfere o controle de alguns aspectos do design do livro para o software ou diretamente para as mãos do leitor, como o tamanho e o tipo de letra. Isso torna o ePub um suporte onde o conteúdo tem absoluta primazia sobre a apresentação gráfica, o que não significa que o trabalho do designer tenha acabado aí.

Por exemplo: se em um livro impresso, cada aspecto do livro é decidido pelo designer, desde a família tipográfica até o tamanho final da publicação, sempre na intenção de deixar o conteúdo transparecer, no ePub é preciso encarar essa ausência de controle como um passo adiante nesse objetivo, como uma vantagem para o leitor, inclusive aqueles com necessidades especiais de leitura. É a flexibilidade que o livro impresso não possui. A intenção continua sendo a de fazer o conteúdo “brilhar”, mas isso é feito de outra maneira, menos “impositiva” visualmente falando. Acredito que a abordagem continua essencialmente a mesma, já que mesmo no design tradicional de livros, o conteúdo é rei: o designer deve abrir mão de sua expressão pessoal em favor da legibilidade e do entendimento do texto. No terreno digital, essa concepção é maximizada exatamente por essa característica flúida do modelo.

Alguns profissionais, no entanto, vão achá-lo um tipo de eLivro que oferece poucos recursos para criar um produto graficamente rico, embora isso deva a melhorar com o EPUB3. A verdade é que, apesar de suas vantagens para o leitor, se a idéia é a privilegiar a expressão gráfica no livro – o layout –, há outros suportes mais indicados, como o próprio PDF e os livros no formato de aplicativo (apps).

Variantes

Fixed layout ePub (ePub de layout fixo)

Consiste em uma extensão do ePub, criada pela Apple no fim de 2010, para execução exclusiva no iBooks (programa leitor de eBooks da Apple para iPad, iPhone e iPod Touch), onde cada página, apesar de construída em XHTML, é fixa, como em um PDF, permitindo uma maior liberdade gráfica no layout mas eliminando uma das principais características do ePub tradicional: a fluidez do conteúdo. Tem sido muito pouco utilizado e o fato de parecer com um PDF, mas extremamente limitado quanto à distribuição, talvez impeça sua popularização. Por outro lado, há a necessidade real de um formato fixo de eBooks, capaz de criar publicações onde o design é tão (ou mais) importante que o texto, como livros infantis ou com muito conteúdo ilustrativo. Se algum sub-formato, como este criado pela Apple, vai assumir esta função, ainda não está definido. Existem outros formatos de layout fixo semelhantes, como o Nook Kids e o XPS (utilizado na plataforma Blio), mas estes não tem relação direta com o ePub.

Vídeo 2: demonstração de ePub de layout fixo.

Desafios que você irá encontrar na produção e no projeto

  • Em diversas situações, para produzir um ePub é preciso ter intimidade com código. Ponto. Não há solução totalmente visual (WYSIWYG) ou automática para produzir um livro deste tipo com qualidade profissional, no atual estágio de desenvolvimento das ferramentas de produção, a exemplo do que ocorre também no desenvolvimento de sites. É possível sim usar um software como o Calibre para fazer conversão de um formato de texto puro para ePub, mas essa não é a melhor abordagem para profissionais da área que precisam ter controle sobre seu produto. Conversões do tipo tiram o controle das mãos do profissional e podem inserir uma série de problemas no código que precisam ser resolvidos depois. A boa notícia é que entre todas as linguagens, as utilizadas no ePub (HTML e CSS, chamadas de linguagens de marcação) estão entre as menos complexas. Acostume-se a elas;
  • Ainda não existe um método consolidado e simplificado para produzir um ePub. É necessário dominar um canivete suíço de soluções, sempre em desenvolvimento. Ao contrário do livro impresso, no qual o trabalho é, de forma geral, conduzido com apenas dois ou três programas, no ePub utiliza-se diversas ferramentas, utilitários e operações diferentes para alcançar o resultado final, parte delas sem nenhum tipo de integração entre si;
  • Embora as linguagens web ofereçam nativamente um excelente controle para a formatação de conteúdo, até mesmo com algumas vantagens sobre os programas tradicionais de editoração eletrônica, a interpretação do arquivo nos aparelhos é irregular. Vários recursos interessantes são simplesmente ignorados pelos dispositivos e programas de leitura, o que acaba “nivelando para baixo” o resultado final do ePub. Além disso, é uma área que evolui lentamente, pois a adoção de tecnologias está atrelada à aquisição de novos aparelhos por parte dos consumidores;
  • É necessário adquirir e manter atualizados alguns aparelhos que representam os principais sistemas onde o ePub será executado, como tablets, celulares, eReaders (veja a recomendação de aparelhos logo abaixo). Fora os programas para execução. Isso representa custos extras e maior tempo dedicado à manutenção de aparelhos, algo praticamente inexistente no fluxo de trabalho do livro impresso.
  • Um livro bem produzido neste suporte demanda uma maior atenção, já que além do conteúdo em si, o código utilizado para representar esse conteúdo também é importante, pois um código mal construído, prolixo ou ultrapassado vai interferir na boa performance e na compatibilidade – presente e futura – do livro nos dispositivos leitores;
  • O valor de mercado para produção de ePub iniciou em um patamar baixo. Aliás, abaixo do que os profissionais estão acostumados para o livro impresso. Isso ocorre não só pela imaturidade dos padrões e do mercado de eBooks, mas também pela facilidade em se converter arquivos de um formato para outro, reduzindo o valor de produção, mas reduzindo também a noção de valor ao criar edições de baixa qualidade, sem cuidado ou planejamento. Não é muito difícil encontrar um ePub, mesmo os adquiridos nas grandes livrarias, com erros de revisão, de código e sem noção alguma de projeto e de edição. Os livros digitais merecem o mesmo tratamento dos livros impressos e essa é uma excelente oportunidade para os profissionais da área deixarem isso bem claro, mostrando seu diferencial e mudando esse cenário.

Mudanças no método de trabalho

Se você trabalha com produção de livros, não será necessário abandonar todos os seus conhecimentos de Indesign ou Quark, pelo menos para parte do trabalho. Os dois são capazes de gerar ePub a partir dos seus arquivos, ainda que o Indesign ofereça vantagens (a versão CS5.5 é a melhor nesse sentido). Os arquivos gerados por estes programas, no entanto, introduzem problemas no código que podem significar, dependendo do tipo de publicação, mais trabalho do que produzí-los fora deles, principalmente para quem não domina as linguagens web. Publicações com muitos elementos extra textuais (imagens, tabelas, quadros e gráficos) são as mais problemáticas. O motivo é que são programas construídos sob o paradigma da página impressa e ainda não estão totalmente adaptados ao conceito de separação entre a informação e sua apresentação visual, vital no mundo do ePub. Para profissionais com conhecimento de XHTML e CSS, pode ser mais vantajoso evitá-los para produção de ePub e criar o arquivo a partir de templates pré-estabelecidos com um editor de código, como o Coda, ou mesmo utilizar o Word ou o LibreOffice (com a ajuda de plugins) como ponto de partida.

Ter o controle do seu código é fundamental para solucionar e resolver problemas, pois cada eReader tem suas especificidades na forma de interpretar o arquivo. Ainda assim, mesmo que algumas fases do trabalho possam ser executadas no Indesign ou Quark, para se obter um ePub de alta qualidade ao fim do processo, não há como fugir da – temida por muitos – edição de código.

Novos conhecimentos para os profissionais

Hardware adicional de trabalho

Este é um tópico sem resposta definitiva. Devido a enorme quantidade de eReaders disponíveis e do suporte extremamente variado ao formato, é impossível apontar um ou dois aparelhos ou programas de trabalho e garantir que seu livro sairá perfeito em todas as soluções disponíveis de leitura de ePub. O formato ainda não chegou nesse grau de maturidade e testar o ePub em todas os programas e aparelhos disponíveis é inviável para a maioria das pessoas. Mas já podemos apontar alguns bons candidatos para essa tarefa. A plataforma Webkit, criada pela Apple e disponível em programas como o iBooks para sistema iOS, é uma das que provavelmente estará no cenário por muito tempo. Qualquer aparelho que utilize esta tecnologia, é um bom candidato. Além disso, muitos aparelhos utilizam a plataforma de eBooks da Adobe como base do seus sistemas, como o Cool-er, o Nook, os aparelhos da Sony e o Positivo Alfa. O mesmo com alguns programas, como o BlueFire, o Aldiko e o Stanza. Assim, é possível reduzir bastante a quantidade de dispositivos para teste.

Também é fundamental ter aparelhos de teste com variações de tamanho de tela, de forma a simular a experiência do leitor em contextos distintos. Um smartphone e um eReader (ou tablet) podem fazer esse papel. Assim, lembrando que ainda não há uma lista de dispositivos perfeita e que quanto mais contextos de teste possíveis, melhor, podemos considerar a seguir um exemplo de pacote mínimo de hardware:

  • Algum dos aparelhos da Apple com o sistema iOS (iPad, iPhone, iPod Touch) para rodar o iBooks e diversos outros aplicativos importantes: BlueFire, Stanza, Nook Reader;
  • eReader que utiliza o sistema de eBooks da Adobe. Exemplos: Cool-er, Positivo Alfa, Sony Reader, Nook, populares aqui no Brasil.
  • eReader/tablet/Smartphone com Android para rodar o Aldiko, um dos principais programas de leitura desta plataforma. Alguns exemplos: Sansung Galaxy Pad, Motorola Xoom (pronuncia-se Zoom) ou mesmo um simples smartphone ZTE X850 (uma das opções mais baratas de Android no momento em que escrevo este artigo).

Observação: Não considerei como lista de hardware os computadores, sejam com Windows, Linux ou Mac, que já fazem parte das ferramentas de trabalho. Para estes, o mínimo de programas instalados são: um browser com o motor do Webkit (Chrome, Safari ou o próprio browser Webkit) e o Adobe Digital Editions.

Programas e utilitários

Há um grande número de programas para criação de ePub, capazes de gerar resultados com os mais variados níveis de qualidade. Na lista, considerei aqueles que lidam diretamente com o formato, mas qualquer programa que exporte o conteúdo em HTML tem, a princípio, utilidade no workflow de produção. Não considerei também os serviços online ou programas que apenas convertem o conteúdo em ePub, como o Book Glutton ou o Calibre.

De forma geral, as soluções baseadas em conversão automática entre formatos são as menos indicadas para trabalho profissional, principalmente nos livros com muita variedade de estilos, figuras, tabelas e outros elementos não-textuais, mas a idéia da lista não é citar cada um nem apontar o fluxo de trabalho ideal. A intenção é oferecer uma visão geral de programas disponíveis para iniciar a produção. Uma avaliação mais aprofundada das ferramentas de edição, prós, contras e melhores workflows fica para um próximo artigo.

Tabela 1: lista de programas e utilitários recomendados

Sistema operacional
Windows Mac Linux
Editores com geração automática de arquivos ePub

Programas que não foram criados exclusivamente para ePub mas que exportam o formato

Indesign (CS3 e superior)1
Libre Office * + Writer2ePub (plugin *)2
QuarkXPress 9
Microsoft Word + Aspose.Words (plugin*)
Oxygen XML Editor
Scrivener
Atlantis Word Processor
Pages
Infohesive *
Editores de ePub

Programas criados especialmente para produção de ePub

Sigil *
eCub *
Jutoh
Legend Maker
ePuper *
Bookbin *
Utilitários de compressão

Necessários para descompactação e recompactação.

ePubPack *
ePubZip *
EPUBscripts *
Validação de ePub

Fundamental para verificação do arquivo

FlightCrew
ePubChecker
ePub Check

1 Cada versão do Indesign acima da CS3 apresenta melhorias adicionais em relação à anterior. A mais recente, CS5.5, é a melhor e mais indicada para produção de ePub.
2. É necessário instalar o plugin Writer2ePub para gerar o ePub
* Programa gratuito